Ucrânia critica politização de Euro 2012 favorável à ex-premiê presa

União Europeia ameaça boicotar Eurocopa e vários líderes consideram não ir à Ucrânia por causa de prisão de Yulia Timoshenko

iG São Paulo |

A Ucrânia considerou, nesta quinta-feira, como "destrutivas" as tentativas de "politizar" a Eurocopa 2012 de futebol, depois de a União Europeia (UE) ter anunciado a intenção de boicotar o torneio por causa da prisão da ex-premiê opositora Yulia Timoshenko. A Polônia, que é coanfitriã do evento, também criticou qualquer boicote.

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"O Ministério das Relações Exteriores considera destrutivas as tentativas de politizar os acontecimentos esportivos", declarou a diplomacia ucraniana em um comunicado. "Os pedidos de boicote à competição (...) minarão a imagem desse acontecimento esportivo grandioso e causarão prejuízo a milhares de ucranianos comuns que não se interessam pela política", acrescentou o ministério.

Vários líderes europeus consideram cancelar suas viagens à Ucrânia, em protesto pelo tratamento dado a Yulia. Presa desde agosto de 2011 sob acusações de abuso de poder e condenada a sete anos de prisão em outubro, a ex-premiê iniciou dia 20 de abril uma greve de fome para protestar contra a violência que afirma ter sofrido na prisão.

Para o Ocidente, porém, a condenação tem motivação política, já que Yulia é rival do presidente Viktor Yanukovych, que a derrotou na disputa pela presidência em fevereiro de 2010, retaliando a derrota na Revolução Laranja de 2004.

Na semana passada, a imprensa ucraniana publicou fotos de hematomas sofridos pela líder da oposição, supostamente pelas mãos de agentes penitenciários, que teriam dado um "soco forte no estômago" da política.

Por sofrer de hérnia de disco, Yulia não pôde assistir ao começo do segundo julgamento no qual é réu por suposto desvio de dinheiro e evasão de impostos. Segundo as autoridades, a líder da oposição pode ser condenada a 12 anos de prisão se for declarada culpada pelos dois crimes.

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A UE e vários países europeus expressaram na semana passada sua preocupação com Yulia. A Áustria e a Bélgica já anunciaram que não participarão dos jogos. O governo holandês disse que boicotaria o evento se não houver uma melhora significativa na situação de direitos humanos de Yulia.

Políticos europeus, incluindo o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e o comissário europeu, Jose Manuel Barroso, também cancelaram suas viagens. O Reino Unido e a Alemanha disseram que ainda não tomaram uma decisão, mas os dois países expressaram preocupações em relação a Yulia.

Nesta quinta-feira, chanceler alemã, Angela Merkel, não confirmou se participará do evento. Também nesta quinta, o primeiro-ministro russo, o presidente eleito Vladimir Putin, disse que a Rússia deseja oferecer tratamento a Yulia, mas afirmou se opor ao boicote.

Enquanto isso, cinco presidentes europeus - da Áustria, República Checa, Alemanha, Itália e Eslovênia - disseram que não comparecerão à conferência ucraniana de líder do centro e leste da Europa na próxima semana, em Yalta.

O jogos de abertura da Euro 2012, competição que dura um mês, começam em 9 de junho.

*Com BBC, AFP e EFE

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