Hollande reforça favoritismo ao receber apoio de centrista na França

Bayrou, tradicional aliado da direita, anuncia voto em socialista por discordar da aproximação de Sarkozy com extrema direita

iG São Paulo |

O candidato socialista à presidência francesa, François Hollande, recebeu nesta quinta-feira o apoio do deputado e líder da centrista União para a Democracia Francesa François Bayrou, reforçando sua condição de favorito para a votação de domingo frente ao atual presidente Nicolas Sarkozy. Bayrou ficou em quinto lugar no primeiro turno da eleição, em 22 de abril.

AP
Partidários seguram retrato de candidato socialista François Hollande durante comício da campanha presidencial em Toulouse, sudoeste francês
Um dia depois do debate com Sarkozy e a três dias da votação, Hollande fez nesta quinta-feira seu último grande comício em Toulouse, cidade onde tradicionalmente a esquerda costuma encerrar sua campanha.

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Mas a decisão de Bayrou foi o grande fato eleitoral do dia. Tradicional aliado da direita, o político centrista afirmou que votaria em Hollande, mas frisou de que se tratava de uma escolha pessoal e não pediu para seus eleitores optarem pelo socialista. Bayrou teve pouco mais 3,2 milhões de votos no primeiro turno das eleições (9,13% do total).

A decisão de Bayrou de votar em um candidato socialista representa uma mudança em relação a seu passado, depois de ele ter atuado como ministro da Educação de governos de direita no anos 90. O político centrista, porém, recusou-se a apoiar o atual presidente por causa de sua guiana para a extrema direita com o objetivo de conquistar os eleitores da Marine Le Pen , que obteve 6,5 milhões de votos (18%) no primeiro turno.

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Segundo Bayrou, essa tendência trouxe para o debate assuntos como imigração e fronteiras, o que pode provocar "enfrentamentos entre os franceses". "A linha de Sarkozy é violenta e entra em contradição com meus valores, da minha corrente política e do gaulismo (ideologia baseada nas ideais do ex-presidente Charles de Gaulle)", afirmou.

Bayrou assegurou que não votaria em branco no momento delicado que atravessa a França, por isso optou por Hollande, apesar de ter muitas diferenças com o socialista, principalmente em relação ao seu programa econômico, que considera pouco rigoroso.

O político centrista pediu para que Hollande se esqueça dos partidos e faça um governo de união nacional que reúna os melhores de cada corrente política. Caso contrário, Bayrou anunciou que fará oposição ao governo.

Com o anúncio do deputado, Hollande reuniu o apoio da maior parte dos candidatos derrotados no primeiro turno, com exceção da ultradireitista Marine Le Pen, que anunciou na terça-feira que votará em branco .

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O candidato socialista já tinha o apoio do esquerdista Jean-Luc Mélenchon, quarto lugar no primeiro turno com 11,11 % dos votos; da candidata verde Eva Joly, que obteve 2,31% dos votos; e do restante dos representantes da esquerda.

Todas as pesquisas divulgadas até o momento dão para Hollande uma vantagem entre cinco e dez pontos sobre Sarkozy. As enquetes indicam, no entanto, que o atual presidente diminuiu a distância nos últimos dias. Na última pesquisa, publicada nesta quinta-feira, a vantagem de Hollande é de cinco pontos. O socialista perdeu 1,5 pontos em relação às pesquisas anteriores.

Uma das chances para Sarkozy reverter o quadro definitivamente, o debate televisivo de quarta-feira, não serviu como um fator capaz de mudar os prognósticos das eleições. Uma pesquisa revelou que 42% dos franceses consideraram Hollande melhor no debate, enquanto 34% preferiram Sarkozy.

Hollande, seguindo os passos de François Mitterrand , único presidente socialista eleito por sufrágio universal na França, encerrou a campanha em Toulouse e evitou o excesso de confiança. "Apesar das enquetes nos apontar como vencedores, nada está definido. Deve-se buscar a vitória, merecê-la, conquistá-la, arrancá-la das mãos da direita para oferecê-la para todo o povo", discursou.

Sarkozy realizou seu último grande comício de campanha na cidade de Toulon, tradicionalmente conservadora, onde criticou muito seu rival, principalmente sua intenção de renegociar o tratado europeu de austeridade. "Mudar o acordo agora significaria reviver a crise de confiança, seria uma loucura", alertou Sarkozy.

*Com EFE

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