Ex-premiê líbio diz que denúncia sobre doação de Kadafi a Sarkozy é verdadeira

Al-Baghdadi al-Mahmudi diz que líder francês está por trás de sua prisão na Tunísia, na tentativa de evitar divulgação do caso

iG São Paulo |

O ex-premiê da Líbia Al-Baghdadi al-Mahmudi afirmou nesta quinta-feira que é verdadeira a denúncia de que o ex-líder líbio Muamar Kadafi financiou a campanha de 2007 do presidente da França, Nicolas Sarkozy. A acusação, feita pelo site Mediaset, foi negada pelo líder, que entrará com uma ação legal .

A declaração de Al-Mahmudi, que está preso na Tunísia, foi feita por meio de seus advogados. Um deles, Me Beshir Essid, afirmou que Kadafi doou cerca de 50 milhões de euros para a campanha de Sarkozy, como informou o Mediaset.

Leia também: Carta sobre ajuda de Kadafi a Sarkozy é falsa, diz Líbia

AP
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, participa de debate presidencial em Paris (02/05)

De acordo com Essid, o ex-premiê líbio disse que o acordo foi fechado por Musa Kusa (ex-chefe dos serviços de informação exteriores) por instrução de Kadafi. Ele disse que existem documentos que comprovam a transação, sem mencionar com quem eles estariam.

Mabrouk Kourchid, outro advogado de Al-Mahmudi, disse que seu cliente acredita que Sarkozy está por trás de sua prisão, numa tentativa de impedir que as informações sobre o caso fossem divulgadas. A Líbia exige a extradição de Al-Mahmudi.

Na quarta-feira, o Conselho Nacional de Transição (CNT), que governa a Líbia desde a morte de Kadafi, disse não ter informações sobre doações do ex-líder a Sarkozy. Segundo o CNT, uma carta sobre a transação divulgada pelo site é falsa .

“Depois que os meios de comunicação informaram sobre esta carta, vimos o documento e verificamos que não há nenhuma referência sobre isso nos arquivos da Líbia", disse Mustafa Abdel Jalil, presidente do CNT. Ele acrescentou que a saudação na carta era incomum no regime anterior.

Sarkozy, que conheceu Kadafi em Paris em 2007, foi um dos maiores apoiadores dos ataques aéreos contra o governo líbio durante o levante de 2011. Aviões de guerra franceses foram os primeiros a bombardear as tropas leais ao líder na campanha conduzida pela Otan, que resultou na deposição e morte de Kadafi .

A denúncia feita em momento decisivo para a campanha de reeleição de Sarkozy, que se prepara para enfrentar o socialista François Hollande nas urnas, no segundo turno das eleições presidenciais, marcadas para domingo.

Com Reuters e AFP

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