Líder pró-democracia toma posse no Parlamento de Mianmar

Suu Kyi e outros 42 opositores desistem de boicote e assumem cargos, nos quais devem ter poder limitado

iG São Paulo |

A vencedora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi completou nesta quarta-feira sua jornada histórica de prisioneira política a integrante do Parlamento, tomando posse e pondo fim a um boicote motivado por um termo presente no juramento.

Suu Kyi e outros 42 membros da Liga Nacional para a Democracia (LND), partido opositor que durante anos permaneceu na ilegalidade, foram eleitos na votação de 1º de abril, mas tinham se negado na semana passada a tomar posse até que o juramento fosse alterado, com a troca do termo "salvaguardar" por "respeitar” a Constituição.

Leia também: Suu Kyi e seu partido exigem mudança em juramento

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Aung San Suu Kyi e outros políticos da oposição tomam posse no Parlamento em Baypyitaw, Mianmar

Apesar de não ter conseguido a alteração, a LND mudou de postura depois de os líderes dos partidos com representação no Legislativo terem apoiado a proposta em carta dirigida ao presidente da Câmara, Shwe Man.

A dificuldade para conseguir uma pequena mudança como essa mostra os imensos desafios da oposição. A Carta Magna reserva para os chefes e oficiais das Forças Armadas uma cota de 110 das 440 cadeiras que compõem o Parlamento, além de 56 das 224 que constituem o Senado.

Suu Kyi assinou o livro de registro do Parlamento em Naypyidaw antes de ocupar seu assento na Câmara acompanhada por 33 dos outros 42 membros da LND que foram eleitos, segundo mostrou a televisão estatal.

A formação de Suu Kyi, que boicotou as eleições gerais legislativas realizadas em novembro de 2010, indicou que uma de suas prioridades será propor emendas à Constituição, considerada antidemocrática.

A atual Constituição foi aprovada em 2008 mediante um referendo e elaborada por uma comissão cujos membros foram escolhidos a dedo pelos dirigentes do regime militar que se sustentou no poder durante quase meio século.

Após a cerimônia, assediada por jornalistas, Suu Kyi disse que não abandonaria a batalha pela democracia que começou em 1988. “Agora temos que trabalhar tanto com o Parlamento quanto fora do Parlamento", afirmou.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, divulgou um comunicado parabenizando Suu Kyi e chamando a ocasião de “momento importante” para o futuro de Mianmar.

“Encorajo todos os partidos políticos, representantes da sociedade civil e líder das minorias étnicas a trabalhar juntos para resolver os desafios e encontrar novas oportunidades para um futuro mais democrático, livre, pacífico e próspero”, afirmou.

Com AP

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