Parlamentares britânicos: Murdoch não tem condições de liderar grande empresa

Conservadores não conseguem evitar tom duro em relatório de comissão multiparditária sobre escândalo de escutas ilegais

iG São Paulo |

AP
Rupert Murdoch, dono da News Corp, e o filho, James, em foto de julho de 2011
Parlamentares britânicos afirmaram nesta terça-feira que o magnata Rupert Murdoch ‘não tem condições’ de liderar uma empresa de porte internacional como a sua, a News Corporation , e precisa ser responsabilizado pelo escândalo de escutas ilegais do extinto tabloide News of the World . As afirmações foram feitas em um relatório de um comitê parlamentar multipartidário, aprovado por seis votos contra quatro - todos os contrários foram dados por integrantes do Partido Conservador, o mesmo do premiê David Cameron.

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No relatório, os parlamentares acusaram Murdoch e seu filho, James , ex-presidente da News International, braço europeu da News Corp, de supervisionar uma cultura corporativa que buscou “ocultar” práticas ilegais. Os legisladores não aceitaram a justificativa dada por Murdoch de que não sabia do alcance dos grampos do News of the World.

“Se isso é verdade, ele fechou os olhos e demonstrou uma ‘cegueira voluntária’ em relação ao que acontecia em sua companhia”, disse o texto. “Concluímos, então, que ele não tem condições para exercer a liderança em uma empresa de porte internacional.”

Com essa afirmação, o relatório sugere que a News Corp não tem condições de controlar totalmente a operadora de TV por satélite British Sky Broadcasting. Murdoch, que já tem 39% da empresa, teve de abandonar uma oferta de compra pelas ações restantes por causa do escândalo do News of the World.

A Ofcom, órgão que regula a imprensa no Reino Unido, disse que está lendo o relatório com atenção. “Temos o dever de garantir que a pessoa a quem é dada uma licença de transmissão é e continua sendo capaz disso”, afirmou o órgão, em comunicado.

Uma das integrantes da comissão, a conservadora Louise Mensch, disse que houve discordância sobre o tom duro das críticas contra Murdoch. Os quatro conservadores do comitê votaram contra, enquanto trabalhistas e um liberal-democrata votaram a favor. A comissão é formada por 11 membros, mas o presidente, um conservador, não votou, seguindo o regulamento.

O conservador Philip David, também membro da comissão, disse que os parlamentares não tinham “absolutamente nenhuma evidência” para chegar à conclusão “totalmente ridícula” sobre a falta de competência de Murdoch na chefia da News Corp. Mas o trabalhista Tom Watson afirmou que, “mais do que qualquer pessoa viva’, Murdoch é culpado pelo escândalo e o relatório tinha de deixar isso claro.

Todos os integrantes da comissão foram unânimes quanto à parte do texto que critica James Murdoch por seu papel no escândalo. “Como chefe de uma empresa jornalística, é impressionante o fato de ele não ter procurado mais informações” sobre os grampos, que começaram em 2001, disse o relatório.

Os parlamentares também criticaram três antigos executivos da News International – o ex-presidente executivo Les Hinton, o ex-responsável pelo departamento legal Tom Crone e o ex-editor do News of the World Colin Myler – por terem fornecido evidências falsas durante depoimentos sobre os grampos.

Em comunicado, a News Corp disse que está analisando o relatório para respondê-lo em breve. “A companhia admite a existência de práticas irregulares no News of the World e pede desculpas a todas as pessoas que tiveram sua privacidade invadida”, afirmou a nota.

Com BBC, AP e Reuters

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