Fuga de ativista chinês ofusca visita de Hillary à China

Obama evita comentar caso de Chen Guangcheng, que estaria sob proteção americana, mas promete discussão sobre direitos humanos

iG São Paulo |

O ativista chinês Chen Guangcheng , que fugiu de prisão domiciliar na China e estaria sob proteção americana , deve ofuscar a visita da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, à Pequim, que começa na quarta-feira. O assunto virou um tabu para autoridades dos dois países, que se recusam a confirmar supostas conversas sobre o destino de Chen, que estaria abrigado na embaixada dos EUA na capitla chinesa.

O presidente americano, Barack Obama, se recusou a responder uma pergunta sobre o caso durante uma entrevista coletiva na segunda-feira. “Obviamente estou ciente dos relatos sobre a situação na China, mas não falarei sobre eles”, afirmou, ao lado do primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda. “Gostaria de ressaltar, porém, que o assunto de direitos humanos sempre aparece quando nos encontramos (com autoridades chinesas).”

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AP
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante coletiva na qual se recusou a comentar caso de ativista chinês (30/04)

Oficialmente, a visita de Hillary - programada antes da fuga de Chen, na semana passada - tem como objetivo manter negociações estratégicas e econômicas com o governo chinês. A secretária de Estado também se recusou a falar sobre o ativista, mas garantiu que o respeito aos direitos humanos estará na pauta.

A secretária acrescentou que ela e o presidente Obama trabalharam duro para construir uma relação “eficaz, construtiva e ampla” com o governo chinês.

“Uma relação construtiva inclui conversar muito francamente sobre as áreas que provocam discordância, como a dos direitos humanos”, afirmou. “Esse é o espírito que está me guiando nesta viagem. E posso garantir que vamos discutir todas as questões, incluindo os direitos humanos. A liberdade do povo chinês é uma grande preocupação para nós.”

A porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, também se recusou a responder perguntas de jornalistas sobre o caso, dizendo apenas que o secretário-assistente Kurt Campbell já estava em Pequim preparando a visita de Hillary, que embarcou na noite de segunda-feira.

Campbell chegou a Pequim pelo menos um dia antes do programado, provocando especulações de que participava de discussões sobre Chen. As autoridades estariam discutindo o local para onde o ativista seria enviado: Estados Unidos, algum lugar no próprio território chinês ou um terceiro país. Segundo ativistas, Chen gostaria de permanecer na China, desde que houvesse proteção para ele e sua família.

Analistas acreditam que as opções de Obama são limitadas. Em disputa pela reeleição, ele não pode ignorar o caso, sob risco de fortes críticas dos republicanos e de grupos de defesa dos direitos humanos. Ao mesmo tempo, pressionar demais a China pode criar problemas, já que os EUA contam com o apoio chinês em outras questões internacionais, como o programa nuclear da Coreia do Norte e do Irã e os conflitos entre o Sudão e o Sudão do Sul.

Se Chen realmente estiver na embaixada, o caso trará à tona memórias de um incidente em 1989 no qual outro ativista conhecido, Fang Lizhi, se abrigou na missão americana em Pequim. Ele permaneceu na embaixada por mais de um ano até que os dois países fechassem um acordo.

Um dos ativistas mais famosos da China, Chen foi colocado sob prisão domiciliar em 2010 após passar mais de quatro anos preso sob a acusação de prejudicar o tráfico e danificar propriedades.

Ele havia acusado as autoridades locais em Linyi, na província de Shandong, de forçar milhares de mulheres a fazer abortos ou serem esterilizadas como parte da política oficial de filho único. Amigos de Chen afirmaram que a fuga de domingo foi planejada durante meses e teve a ajuda de uma rede de colegas e ativistas. Ele escalou o muro que as autoridades haviam construído em volta de sua casa e foi levado de carro por centenas de quilômetros até Pequim, onde teria passado por vários locais até se abrigar na embaixada.

Sua mulher e sua filha de seis anos permanecem sob prisão domiciliar, mas vários outros familiares foram detidos desde então e outros estão sendo procurados pelas autoridades.

Com AP e BBC

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