Ataque na cidade natal da ex-premiê Yulia Tymoshenko acontece no momento em que ela faz greve de fome contra maus-tratos na prisão

Quatro explosões deixaram ao menos 27 feridos nesta sexta-feira na cidade de Dnipropetrovsk, no leste da Ucrânia, onde nasceu a ex-premiê e líder da oposição Yulia Tymoshenko, que está presa e em greve de fome. Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelos ataques, mas parlamentares opositores acusaram o governo de estar por trás da ação, numa tentativa de tirar a atenção do caso da ex-premiê.

Leia também: Marido de ex-premiê da Ucrânia garante asilo na República Checa

Mulher ferida em explosão em Dnipropetrovsk, na Ucrânia, recebe ajuda
Reuters
Mulher ferida em explosão em Dnipropetrovsk, na Ucrânia, recebe ajuda

De acordo com autoridades, todos os explosivos foram plantados em lixeiras – sendo que uma das bombas estava em uma estação e outra perto de um cinema. O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych, disse que o ataque representa “um novo desafio para o governo e para toda a nação”.

O ministro do Interior, Vitaly Zakharchenko, e outras autoridades ucranianas foram ao local para acompanhar as investigações do ataque que, de acordo com a procuradoria-geral do país, está sendo tratado como um atentado terrorista. Nove crianças estão entre os feridos.

A série de explosões acontece em um momento de tensão na Ucrânia, devido a denúncias de que Yulia Tymoshenko teria sido espancada por guardas na prisão.

Nesta sexta-feira, a filha da ex-premiê disse acreditar que a mãe será alimentada a força para parar a greve de fome começada há uma semana em protesto contra os supostos maus-tratos. Partidários divulgaram fotos de Yulia mostrando ferimentos.

O vice-presidente do Parlamento, Mykola Tymenko, membro do partido de Yulia, afirmou “não descartar” a possibilidade de o governo estar por trás dos ataques desta sexta-feira, como forma de impedir que as denúncias ganhem ainda mais repercussão.

A ex-premiê foi condenada a 7 anos de prisão por abuso de poder, em outubro - sentença que os Estados Unidos e a União Europeia denunciaram como fruto de motivações políticas.

Em dezembro, a Justiça da Ucrânia anunciou uma nova ordem de prisão contra a ex-premiê, ligada à suposta sonegação de impostos e ao desvio de fundos públicos entre 1996 e 2000, quando comandou a companhia de gás intermediária Unified Energy Systems.

Em imagem divulgada por partidários, Yulia Tymoshenko mostra marcas de supostos abusos na prisão (25/04)
AP
Em imagem divulgada por partidários, Yulia Tymoshenko mostra marcas de supostos abusos na prisão (25/04)

Com BBC e AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.