Considerado culpado de desacato, Gilani continua no cargo mas ainda enfrenta decisão parlamentar sobre seu futuro político

AP
O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, chega à Suprema Corte em Islamabad
A Suprema Corte do Paquistão condenou nesta quinta-feira por desacato o primeiro-ministro do país, Yusuf Raza Gilani, por desrespeitar a ordem dada pelo tribunal para que ele pedisse a reabertura de uma investigação contra o presidente Asif Ali Zardari.

A simbólica sentença dada pelo Supremo foi a de que Gilani ficasse preso até que todos os juízes deixassem o local, um período que durou cerca de um minuto.

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Gilani deixou o local ainda no poder e rodeado por partidários que protestaram contra o veredicto. Agora, o presidente do Parlamento e uma comissão eleitoral deverão decidir se a condenação é razão suficiente para tirar o direito de Gilani de legislar e, portanto, de permanecer no cargo.

O processo parlamentar para retirá-lo do poder levar até quatro meses e ser contestado legalmente em várias instâncias. Como as eleições devem acontecer este ano ou no início de 2013, é possível que Gilani termine seu mandato. O líder da oposição, Nawaz Sharif, pediu a renúncia do premiê. “Ele insultará o Parlamento se continuar no cargo. É preciso que renuncie para evitar novas crises”, afirmou.

Gilani foi indiciado por desacato por não ter pedido que autoridades suíças reabrissem uma investigação contra Zardari. Em 2009, a Suprema Corte anulou um decreto de anistia geral que exonerava o presidente de ser responsabilizado judicialmente pelo suposto desvio de fundos públicos transferidos a um banco suíço.

Desde então, o Supremo pressiona o governo para reabrir a investigação. Gilani tinha até 21 de março para informar o tribunal por escrito sobre as ações tomadas para reabrir o caso – algo que novamente não fez, alegando que Zardari tem “completa imunidade dentro e fora do Paquistão”.

O processo acontece no momento em que o governo civil do Paquistão se vê em um crescente conflito com a Suprema Corte por causa de numerosas ordens anunciadas nos últimos dois anos – entre elas a questão da imunidade presidencial.

Com AP e AFP

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