Murdoch admite operação para esconder grampos e pede desculpas por 'falha'

Em segundo dia de depoimento, dono da News Corp diz que tomou decisão de fechar tabloide porque 'entrou em pânico'

iG São Paulo |

O dono da News Corporation , Rupert Murdoch, afirmou nesta quinta-feira que uma operação tentou encobrir o escândalo de escutas do extinto tabloide News of the World , mas garantiu que a direção da empresa não participou dela. No segundo dia de depoimento a um inquérito judicial sobre o comportamento e a ética da imprensa no Reino Unido, Murdoch pediu desculpas por não ter feito o suficiente para evitar as irregularidades no jornal. “Eu falhei e sinto muito por isso”, afirmou.

Leia também: Em depoimento, Murdoch nega 'vingança' contra premiê britânico

AP
O magnata Rupert Murdoch e sua mulher, Wendi Deng, deixam tribunal em Londres

Murdoch lamentou não ter dado devida atenção ao News of the World, mas afirmou que uma operação para encobrir as irregularidades o manteve “desinformado”. “Todos os executivos sêniors foram protegidos do que estava acontecendo e culpo uma ou duas pessoas por isso”, disse.

O magnata não disse quem seriam essas pessoas, mas disse que uma delas era um “advogado esperto”, numa possível referência a Tom Crone , ex-chefe do conselho legal da News International, o braço britânico da News Corp.

Questionado pelo advogado Robert Jay sobre se a News Corp participou da operação para encobrir o escândalo, Murdoch negou. “Não houve tentativa nem no meu nível nem em vários níveis abaixo de mim para encobrir nada. Estabelecemos inquérito atrás de inquérito, contratamos um escritório de advocacia atrás do outro”, afirmou. “Talvez tenhamos confiado demais nas conclusões da polícia.”

Murdoch afirmou que um editor foi nomeado com a instrução de “descobrir o que estava acontecendo” em 2007, após o repórter Clive Goodman e o investigador Glenn Mulcaire terem sido condenados à prisão por usar grampos para conseguir informações exclusivas.

O editor a que Murdoch se referiu sem citação nominal é Colin Myler, nomeado para o cargo no mesmo ano. “Acredito que ele implementou duas ou três novas regras, mas nunca reportou (à direção) sobre a existência de mais grampos”, disse Murdoch.

Questionado sobre o motivo de ter fechado o jornal no auge do escândalo, Murdoch disse ter sido uma decisão impulsiva. “Entrei em pânico”, afirmou. “Mas estou feliz por ter fechado e lamento não ter feito isso antes.”

As denúncias de que o News of the World grampeou os telefone de centenas de celebridades e cidadãos comuns deu início a três investigações policiais, este inquérito judicial e mais de cem processos.

A News Corp também foi forçada a abandonar uma oferta de compra pela totalidade das ações da operadora de TV por satélite BSkyB, da qual detém 39,1%. Além disso, o filho do magnata, James Murdoch , renunciou à presidência executiva da News International , bem como à direção da BSkyB .

O inquérito judicial sobre a ética da imprensa britânica também se tornou uma grande investigação sobre os laços políticos da News Corp. Na quarta-feira, Adam Smith, assessor do Secretário da Cultura, Jeremy Hunt, renunciou ao cargo um dia após a divulgação de emails que mostravam conversas dele com autoridades da News Corp na época em que a empresa tentava comprar a BSkyB.

As informações foram divulgadas durante depoimento do filho de Murdoch, James, o que provocou especulações sobre uma tentativa de vingança do magnata contra o premiê britânico, David Cameron, por ter ordenado a abertura do inquérito. O dono da News Corp negou tais rumores .

Com AP, BBC e informações do The Guardian

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