Marine Le Pen condiciona votos a Sarkozy a troca de apoio nas legislativas

Eventos do 1º de maio se tornam batalha política e acirram disputa entre Sakorzy e o socialista Hollande para o segundo turno

iG São Paulo |

A presidente da ultradireitista Frente Nacional (FN), Marine Le Pen , condicionou o voto de seus partidários a favor de Nicolas Sarkozy nas eleições presidenciais ao eventual apoio que receber do atual líder no pleito legislativo de junho.

Em busca de vantagem: Sarkozy descarta acordo com extrema direita para vencer eleição

Em entrevista concedida à emissora RTL, Le Pen indicou que, antes de se pronunciar sobre quem apoiará no segundo turno, espera uma clara resposta de Nicolas Sarkozy e do secretário-geral da conservadora União por um Movimento Popular (UMP), Jean François Copé, sobre sua exigência.

AP
Marine Le Pen segue para restaurante em Nanterre, noroeste de Paris (23/4)
Le Pen lamentou, no entanto, que tanto o projeto de Sarkozy como o do socialista François Hollande oferecem uma futura presidência que será subjugada pela "ditadura" da União Europeia. "Não haverá uma presidência, e sim uma gestão vaga sob a ditadura da UE", indicou Le Pen, ressaltando que ela seria a única figura capacitada para defender a soberania do país.

A ultradireitista, que no primeiro turno das eleições presidenciais ficou em terceiro lugar, com o histórico índice de 17,9% dos votos, criticou também o "desprezo" com o qual os dois candidatos trataram seus eleitores.

Para a líder da FN, o fato de os dois candidatos terem indicado que o voto dirigido a seu partido foi "de cólera e desesperança" e reflete que Sarkozy e Hollande "não entenderam nada" sobre as aspirações da população.

1º de maio

Ainda nesta quinta-feira, o candidato socialista, François Hollande, acusou Sarkozy, seu rival eleitoral, de tentar sequestrar para fins políticos as tradicionais celebrações do Dia do Trabalho.

Hollande, que é favorito para derrotar Sarkozy no segundo turno de 6 de maio, criticou o adversário por convocar um comício perto da Torre Eiffel em 1º de maio, concorrendo com o tradicional evento dos sindicatos.

"Lamento que Nicolas Sarkozy tenha explorado isso para ir em busca de conflito", disse Hollande à rádio France Info. "O 1º de maio é uma celebração do trabalhador, decidida no mundo todo pelos sindicados, e considero que não cabe aos políticos interferir, mesmo durante uma campanha eleitoral."

Além do comício de Sarkozy e do evento sindical, uma terceira manifestação está programada - o Dia de Joana D'Arc - promovida anualmente pelo partido de Le Pen, a Frente Nacional No evento, a ultradireitista deve anunciar sua posição para o segundo turno.

Sarkozy, que tenta herdar os votos de Le Pen, acusou os sindicatos e o Partido Socialista de "privatizar o 1º de Maio", e convocou o "mundo do verdadeiro trabalho" para o seu comício na Praça do Trocadero, em Paris.

Ele irritou sindicatos e a esquerda ao insinuar que os organizadores tradicionais do evento protegem os funcionários públicos em detrimento dos empregados do setor privado. Na quinta-feira, porém, o presidente negou ter usado o termo “verdadeiro trabalho".

Votos operários

Uma pesquisa Ifop mostrou que Le Pen superou ligeiramente Hollande entre operários no primeiro turno. Ambos, no entanto, tiveram mais votos do proletariado do que Sarkozy.

Depois dos ataques do presidente aos sindicatos, a maior central francesa, a CGT, orientou seus filiados a votarem contra Sarkozy, deixando de lado sua tradicional postura de evitar posicionamentos políticos explícitos.

Direita: Marine Le Pen é a grande surpresa do primeiro turno na França

Em artigo de capa, o jornal comunista L'Humanité comparou Sarkozy ao marechal Philippe Pétain, que governou a França em um governo de colaboração com os nazistas.

Foi Pétain, em 1941, quem oficializou o 1º de maio como um feriado dedicado aos trabalhadores, embora a celebração remonte aos anos posteriores à Revolução Francesa (1789). O L'Humanité disse que Pétain, como Sarkozy, na sua época acusou os sindicatos de buscarem objetivos econômicos e políticos.

*Com EFE e Reuters

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