Ex-presidente da Libéria é condenado por apoiar crimes de guerra em Serra Leoa

Tribunal internacional diz que Charles Taylor é cúmplice de atrocidades cometidas durante o conflito civil no país (1991-2002)

iG São Paulo |

Em uma decisão histórica, o Tribunal Especial de Haia para Serra Leoa condenou o ex-presidente da Libéria Charles Taylor nesta quinta-feira por ser cúmplice de crimes de guerra e crimes contra humanidade ao apoiar grupos rebeldes em Serra Leoa em troca dos chamados “diamantes de sangue”. Taylor é o primeiro chefe de Estado a ser condenado por uma Corte internacional desde os julgamentos de Nuremberg, que ocorreram após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A pena será anunciada em no máximo 30 dias. O juiz Richard Lussick afirmou que Taylor, 64 anos, forneceu armas, munição, equipamentos de comunicação e planejamento à Frente Revolucionária Unida de Serra Leoa, responsável por atrocidades durante a guerra civil do país, entre 1991 e 2002. O grupo é famoso por ter amputado mãos e pernas de civis durante o conflito.

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AP
O ex-presidente da Libéria Charles Taylor aguarda veredicto durante audiência em Haia, na Holanda

De acordo com Lussick, o apoio dado por Taylor foi “constante e significativo”. Ele foi considerado culpado de 11 acusações, incluindo assassinado, estupro e recrutamento de crianças como soldados. No entanto, Taylor não foi considerado comandante direto das ações dos rebeldes, pois os juízes consideraram que ele não tinha controle sobre o grupo.

Taylor, que se declarou inocente de todas as acusações, não demonstrou emoção ao ouvir o veredicto. A sentença deverá ser cumprida em uma prisão britânica.

Grupos de defesa dos direitos humanos comemoraram a condenação. “A decisão envia uma mensagem poderosa de que mesmo aqueles na posição de maior poder podem ser penalizados por crimes graves”, afirmou Elise Keppler, da Human Right Watch. “É uma vitória para as vítimas de Serra Leo e para todos os que buscam justiça quando os piores abusos são cometidos.”

Trajetória

Em 1989, aos 41 anos, Taylor era o líder de um grupo armado e deu início à guerra civil na Libéria, encerrada após um tratado de paz em 1995.

Em 1997 foi eleito presidente e seu governo durou seis anos.

Em agosto de 2003, rebeldes tomaram a capital do país, forçando-o a ir ao exílio na Nigéria. Taylor disse que optou por se exilar para acabar com o conflito em seu país.

Após 2003, Taylor vinha sendo acusado de violar as regras de seu exílio na Nigéria ao continuar influenciando a política interna na Libéria. Meses após a posse da presidente liberiana, Ellen Johnson-Sirleaf, em 2006, a Nigéria concordou em extraditar Taylor, que fugiu.

Capturado e enviado à Libéria, Charles Taylor foi levado a Serra Leoa pela ONU para aguardar julgamento. Sua prisão foi considerada um sinal de que os líderes de grupos armados africanos não gozavam mais de impunidade.

Com AP

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