Diante de corte, milhares cantam música que exalta multiculturalismo e que, segundo Breivik, faz lavagem cerebral em noruegueses

Combatendo o terrorismo com música, cerca de 40 mil manifestantes se reuniram no centro de Oslo, na Noruega, para um protesto contra o extremista Anders Behring Breivik , autor confesso do massacre que deixou 77 mortos no ano passado. A multidão entoou uma canção infantil que exalta a sociedade multicultural e que, segundo Breivik, está sendo usada para fazer uma lavagem cerebral nos noruegueses.

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Multidão participa de manifestação contra extremista Anders Behring Breivik em Oslo, na Noruega
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Multidão participa de manifestação contra extremista Anders Behring Breivik em Oslo, na Noruega

A manifestação ocorreu em frente ao tribunal onde Breivik está sendo julgado e, segundo organizadores, teve o objetivo de mostrar que o massacre não alterou o caráter tolerante do país. Debaixo de chuva, a multidão cantou “Barn av Regnbuen” (“Filhos do Arco-íris”, em tradução livre), citada por Breivik durante o julgamento na semana passada como um exemplo de como “marxistas culturais” se infiltraram em escolas noruguesas.

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O comentário de Breivik sobre a canção – lançada em 1970 e uma versão de “Raibow Race”, do músico americano Pete Seeger - motivou a manifestação, convocada pelo Facebook e também realizada em outras cidades. Depois de cantar, os participantes deixaram flores em frente ao tribunal, em homenagem às vítimas.

Enquanto isso, dentro do tribunal, o julgamento entrava em seu nono dia e sobreviventes do primeiro ataque de Breivik, a explosão de um carro-bomba em Oslo, testemunhavam. O extremista ouvia, sem dar sinais de comoção.

Uma das testemunhas, Anne Helene Lund, 24 anos, estava a cerca de sete metros do local da explosão e passou um mês em coma. Ao acordar, sofreu perda de memória e não conseguia se lembrar dos nomes de seus familiares.

O pais de Anne, Jan Erik Lund, também testemunhou. Chorando, ele descreveu as diferentes emoções que sentiu enquanto a filha estava internada com danos cerebrais graves. “Era como experimentar a melhor e a pior sensação no mesmo momento: era fantástico que ela estivesse viva, mas horrível que estivesse ferida daquele jeito”, afirmou.

O extremista assumiu a responsabilidade pela explosão em Oslo e por um ataque a tiros na Ilha de Utoya, mas se declarou inocente das acusações criminais dizendo que suas vítimas tinham traído a Noruega ao abraçar a imigração.

A questão crucial do julgamento é determinar a sanidade de Breivik e se ele será encaminhado a uma prisão ou à assistência psiquiátrica compulsória pelo ataque duplo. Uma avaliação psiquiátrica o caracterizou como psicótico e "delirante" , enquanto outra o considerou competente mentalmente para ser enviado à prisão.

Manifestantes deixam flores em frente a tribunal onde Breivik está sendo julgado em Oslo, na Noruega
AP
Manifestantes deixam flores em frente a tribunal onde Breivik está sendo julgado em Oslo, na Noruega

Com AP e EFE

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