Biden critica propostas de Romney para área de política externa

Vice de Obama acusou pré-candidato republicano de ter ideias retrógradas e pensar mais como executivo do que comandante-em-chefe

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O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, criticou nesta quinta-feira as propostas de Mitt Romney para a política externa, qualificando-as de retrógradas, e acusou o pré-candidato republicano à Presidência de pensar mais como executivo do que como comandante-em-chefe.

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Biden, assumindo nas últimas semanas os ataques ao rival, vem tentando retratar Romney como alguém alheio aos problemas dos norte-americanos, e seu comentário sobre política externa representa um rompimento com o foco doméstico e econômico da campanha do presidente americano, Barack Obama, à reeleição.

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Joe Biden discursou na Universidade de Nova York sobre política externa na administração Obama

O vice-presidente fez um inventário das posições de Romney a respeito da Rússia, Irã e Afeganistão, sempre defendendo a atuação do atual governo.

"Acho que o governador Romney está contando com uma amnésia coletiva", disse Biden a um grupo de estudantes em Nova York. "Os americanos sabem que não podemos ir de volta para o futuro, de volta para uma política externa que faria a América andar sozinha, gritar ao mundo: 'Ou vocês estão conosco ou estão contra nós', atacar primeiro e fazer as perguntas difíceis depois ..., isolar a América ao invés de isolar nossos inimigos."

Biden evitou se prolongar nas políticas do antecessor de Obama, o republicano George W. Bush, mas a implicação foi clara: a de que Romney, ex-governador de Massachusetts e favorito para ser o indicado do seu partido à Casa Branca neste ano, voltaria à época das bravatas unilaterais no cenário internacional.

Era Bush

A campanha de Obama busca associar Romney a Bush, que iniciou duas guerras impopulares e ainda enfrentou uma grave crise econômica no final do seu segundo mandato.

A economia deve dominar a campanha presidencial de 2012, mas assessores de Obama veem sua atuação na política externa como um trunfo, já que durante o mandato atual os EUA encerraram a guerra do Iraque e enfraqueceram significativamente a Al-Qaeda, por exemplo.

"Se vocês estão atrás de um adesivo de parachoque que resuma como o presidente Obama lidou com o que herdamos, é bastante simples: (Osama) Bin Laden está morto, e a General Motors está viva", disse Biden.

A campanha de Romney reagiu convocando uma teleconferência com a imprensa, na qual acusou o governo Obama de estar paralisado a respeito da Síria, e de ser fraco com o Irã e Coreia do Norte.

"O vice-presidente parece focar em uma fantasia narrativa, se vocês quiserem, a respeito do desempenho do governo Obama em melhorar as relações da América no mundo", disse Dan Senor, assessor de Romney. "É o histórico do presidente Obama que tem passado um recado aos nossos amigos e aliados, estejam eles nos governos ou em movimentos dissidentes... que ficaram realmente expostos e isolados."

Em seu discurso, Biden citou casos em que Romney apoiou políticas de Obama, antes de passar a criticá-las, como a retirada das tropas do Iraque e dos prazos para a desocupação do Afeganistão.

Ele também ironizou o rival por ter declarado que, como presidente, não precisaria ter conhecimentos profundos de política externa, pois poderia confiar nos assessores do Departamento de Estado.

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"Esse tipo de pensamento pode funcionar para um executivo-chefe, mas lhes garanto que não vai e não pode funcionar para um presidente, e não vai funcionar para um comandante-em-chefe", disse o vice-presidente.

Em sua campanha, Romney tem destacado sua experiência como executivo do setor financeiro, alegando que isso lhe gabarita para comandar a economia.

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