Apesar de nenhum grupo ter reivindicado as ações em Abuja e Kaduna, suspeitas recaem sobre seita islâmica Boko Haram

Um homem-bomba detonou um carro cheio de explosivos nesta quinta-feira na sede do ThisDay, o maior jornal da Nigéria, na capital Abuja, enquanto outro agressor lançou uma bomba perto do prédio abrigando os jornais ThisDay, The Moment e The Daily Sun em Kaduna, deixando ao menos sete mortos e 26 feridos, disseram testemunhas.

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Pessoas são vistas na frente da sede do ThisDay, um dos jornais mais importantes da Nigéria, após ataque na capital Abuja
AP
Pessoas são vistas na frente da sede do ThisDay, um dos jornais mais importantes da Nigéria, após ataque na capital Abuja
Nenhum grupo reivindicou responsabilidade pelos ataques, apesar de eles terem semelhanças com outros previamente lançados por uma seita islâmica radical responsável por centenas de mortes na Nigéria neste ano.

Em Abuja, o homem-bomba atravessou com seu carro os portões da sede do ThisDay e foi até a área da recepção antes da explosão, relatou Nwakpa O. Nwakpa, um porta-voz da Cruz Vermelha da Nigéria. A explosão deixou ao menos três mortos e vários feridos.

O ataque em Kaduna também incluiu um car cheio de explosivos, embora as pessoas no local rapidamente cercaram o veículo, disseram testemunhas. O motorista, então, começou a gritar que havia uma bomba dentro do carro. Ele depois abriu o porta-malas e retirou o explosivo antes de lançá-lo. Ao menos quatro morreram na explosão. Posteriormente as autoridades prenderam o autor do ataque.

O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, descreveu os ataques como "horrendos, ignóbeis e vis". Por meio de um comunicado assinado pelo porta-voz presidencial, Reuben Abati, Jonathan "reafirmou o compromisso do governo de seguir defendendo o direito à liberdade de expressão em geral e da imprensa em particular".

Não está claro por que o ThisDay, um diário que pertence ao magnata da mídia Nduka Obaigbena, foi alvo. Em 2002, tumulto sobre um artigo publicado pelo jornal sugerindo que o Profeta Maomé teria se casado com uma concorrente do Miss Mundo deixou dezenas de mortos em Kaduna. Obaigbena, cujos eventos na Nigéria atraíram celebridades como ex-presidente americano Bill Clinton ao rapper Jay-Z, também tem vínculos fortes com a elite do país e o governista Partido Democrático do Povo.

Embora ninguém tenha assumido a autoria dos atentados, os fundamentalistas islâmicos do Boko Haram ameaçaram recentemente atacar qualquer meio de comunicação que publicasse falsas reportagens sobre o grupo. O grupo, que continua com sua campanha de violência contra o fraco governo central nigeriano, deixou ao menos 440 mortos só neste ano, de acordo com uma contagem da Associated Press.

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Diplomatas e oficiais militares dizem que o Boko Haram têm vínculos com grupos terroristas alinhados à rede Al-Qaeda na África. Membros da seita também teriam sido vistos no norte do Mali com rebeldes tuaregues, e islamitas radicais tomaram controle da região no mês passado.

*Com AP e EFE

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