Presidente francês diz que 'ouve' eleitores, mas não dará cargos a políticos da Frente Nacional caso seja eleito

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta quarta-feira que não fará acordo com o partido de extrema-direita Frente Nacional para vencer o segundo turno da eleição , descartando a possibilidade de dar cargos a políticos do partido ou ajudá-los na próxima votação legislativa.

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O presidente da França, Nicolas Sarkozy, faz campanha em Cernay, leste do país
AP
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, faz campanha em Cernay, leste do país

“Não haverá acordo com a Frente Nacional, mas devo levar em consideração os votos dos eleitores que optaram pela candidata do partido, Marine Le Pen ”, declarou Sarkozy, do conservador União por um Movimento Popular (UMP), à rádio France Info. “Recuso-me a demonizar os homens e mulheres que registraram um voto de crise, um voto de raiva, um voto de sofrimento e de desespero.”

Tanto Sarkozy, que teve 27,2% dos votos, como o socialista François Hollande, que ficou na frente com 28,6% e lidera as pesquisas de opinião para o segundo turno, tentam conquistar os eleitores da Frente Nacional, que teve quase 18% dos votos, sem irritar o eleitorado tradicional.

Uma pesquisa de opinião mostrou que dois terços dos partidários de Sarkozy querem que ele faça uma aliança com a Frente Nacional para vencer o segundo turno.

Nesta quarta-feira, Hollande disse que há “muitas ambiguidades” sobre a posição do presidente e de seu partido em um eventual duelo entre a Frente Nacional e o Partido Socialista nas eleições legislativas, marcadas para 10 e 17 de junho.

Holande recordou que, em 2002, a esquerda pediu votos para o candidato de direita Jacques Chirac para evitar que o candidato da Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen, vencesse o segundo turno da eleição presidencial. “Nunca hesitei sobre minha posição diante de um duelo entre a Frente Nacional e a UMP nas legislativas”, afirmou.

Hollande disse à TV France 2 que não fará concessões para a extrema direita, mas que entendeu o medo e raiva dos eleitores, a maioria jovens e trabalhadores de classe média.

"Ouço a raiva, vejo os trabalhadores que estão se perguntando sobre o futuro de seus empregos, que estão lutando contra a terceirização, que não aceitam os planos de demissões, que expressam a sua raiva através do voto para Marine Le Pen ", disse.

Com AFP e Reuters

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