Extremista da Noruega diz que relatório que o declarou insano é 'invenção'

Breivik diz que psiquiatras foram influenciados por emoção e não têm competência para avaliar 'ativista político violento'

iG São Paulo |

No oitavo dia de seu julgamento, Anders Behring Breivik , autor confesso do duplo ataque que deixou 77 mortos na Noruega no ano passado, afirmou que o relatório psiquiátrico que o declarou insano foi baseado em “invenções maldosas” que tentam mostrá-lo como "irracional e burro".

“Não sou eu a pessoa descrita naquele relatório”, afirmou Breivik, criticando também a segunda avaliação , que o declarou são, mas “narcisista” e “anti-social”. “Não concordo com nenhum dos diagnósticos.”

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O extremista Anders Behring Breivik comparece ao oitavo dia de seu julgamento em Oslo

As duas avaliações estão sendo consideradas pelo painel de cinco juízes. A questão crucial do julgamento é determinar a sanidade de Breivik e se ele será encaminhado a uma prisão ou à assistência psiquiátrica compulsória pelo ataque duplo.

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Breivik afirmou que os psiquiatras responsáveis pelo primeiro relatório foram influenciados pelas emoções provocadas pelo duplo ataque. “Eles não têm competência para avaliar ativistas políticos violentos”, afirmou. “Para um ativista político, a pior coisa que pode acontecer é ir a uma instituição psiquiátrica. Isso tiraria a legitimidade de tudo o que represento.”

O réu não mostrou remorso ao ouvir testemunhos sobre os graves ferimentos causados pelo primeiro ataque cometido por ele em 22 de julho de 2011: a explosão de um carro-bomba em Oslo .

O extremista assumiu a responsabilidade pela explosão e por um ataque a tiros na Ilha de Utoya , mas se declarou inocente das acusações criminais dizendo que suas vítimas tinham traído a Noruega ao abraçar a imigração.

Breivik afirmou ter esperado que os ataques mudassem a política migratória da Noruega. “Mas, ao contrário, eles continuam na mesma direção. Infelizmente, a luta é ainda mais relevante hoje do que era em 22 de julho de 2011”, disse.

O extremista voltou a afirma que faz parte de um grupo anti-muçulmano e que trabalhava com outras células na Noruega.

Investigadores não acreditam nessa versão e o promotor Svein Holden lembrou que o segundo relatório psiquiátrico a descreveu como “fantasiosa”. “É uma rede real”, afirmou Breivik, dizendo que a polícia não pode concluir que o grupo não existe apenas porque não o encontrou. “Se a lógica for essa, então eu não existia antes de 22 de julho.”

Ele acrescentou que “não gostaria de ser o porta-voz da polícia” quando o próximo ataque acontecer na Noruega. “Porque acontecerá”, disse.

Com AP

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