Sarkozy: 'Não podemos continuar recebendo tantos estrangeiros'

De olho nos votos da extrema direita, presidente francês diz que reduzirá imigração enquanto rival quer 'regularizar todo mundo'

iG São Paulo |

Numa tentantiva de conquistar os votos da extrema direita , o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta terça-feira que seu país não pode "continuar recebendo tantos estrangeiros". O líder candidato à reeleição e seu rival no segundo turno, o socialista François Hollande, disputam os eleitores de Marine Le Pen , candidata do partido Frente Nacional que ficou em terceiro lugar na primeira etapa da votação.

Leia também: Sarkozy busca votos da extrema direita para vencer segundo turno

AP
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, faz discurso em Longjumeau, subúrbio de Paris

Em entrevista à rede de TV France 2, Sarkozy afirmou que a intenção de Hollande é "regularizar todo mundo", enquanto ele pretende reduzir à metade o número de imigrantes que chegam ao país a cada ano. Sarkozy também propõs submeter a um exame de francês "toda pessoa que queira vir à França", a fim de provar que será "capaz de se integrar".

No primeiro turno da eleição, Sarkozy teve 27,1% dos votos, contra 28,6% de Hollande. Agora, os dois tentam garantir a vitória cortejando os partidários de Marine Le Pen, que teve 18% dos votos. Esta é a primeira vez que um presidente francês concorrendo à reeleição não consegue vencer o primeiro turno desde a Quinta República Francesa, iniciada em 1958.

Segundo três pesquisas realizadas logo após o encerramento do primeiro turno, Hollande se mantém favorito e ganharia com facilidade o segundo turno. Segundo uma pesquisa do instituto Ifop, divulgada na noite de domingo, Hollande venceria o com 54,5% dos votos, enquanto o presidente Sarkozy obteria 45,5%. durante a entrevista, Sarkozy buscou demonstrar confiança lembrando que os levantamentos para o primeiro turno indicavam abstenção recorde, o que não aconteceu.

Hollande atribuiu a votação de Marine Le Pen – a maior já obtida pela extrema direita na França - ao "desespero de um eleitorado sofredor de funcionários de escritórios, artesãos e operários que estão realmente se sentindo abandonados". Para Hollande, esse eleitorado desejava punir não só Sarkozy como também o sistema político, a Europa e a globalização.

As pesquisas divulgadas no domingo apontam que entre 50% e 60% dos eleitores de Marine Le Pen apoiariam Sarkozy no segundo turno. O restante poderia votar em Hollande ou se abster na votação.

Saiba mais: Hollande quer dar direito de voto para estrangeiros na França

Mas, para vencer, Sarkozy teria de ampliar essa margem de apoio, o que não será uma tarefa fácil, segundo analistas, já que existe um sentimento de rejeição em relação a Sarkozy em parte do eleitorado.

O presidente já tinha, no primeiro turno, o objetivo de atrair o eleitorado da extrema direita com discursos sobre a meta de reduzir a imigração pela metade, mas sua estratégia fracassou.

O presidente convidou o adversário para três debates nas próximas duas semanas até o segundo turno, onde os dois discutiriam economia, questões sociais e relações internacionais. Hollande, porém, rejeitou a ideia, e disse que um único debate, como é tradição, seria o suficiente.

Com BBC e EFE

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