Israel concede status legal a três colônias na Cisjordânia

Assentamentos foram construídos nos anos 1990 em região que palestinos reivindicam como parte de seu território

iG São Paulo |

O governo israelense anunciou nesta terça-feira a legalização de três colônias judaicas instaladas ilegalmente na Cisjordânia na década de 1990, provocando acusações de que a decisão significa, na prática, a criação do primeiro novo assentamento em mais de 20 anos.

As três colônias - Bruchin, Sansana e Rechelim - foram construídas em terras que Israel declara ser "propriedade do Estado" na Cisjordânia, uma área capturada na guerra de 1967 e que os palestinos querem como parte de seu Estado. A decisão de legalizá-las foi tomada por um comitê ministerial na noite de segunda-feira.

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AP
Bandeira israelense é vista em colônia de Rehalim, na Cisjordânia (25/09/2002)

O gabinete do premiê Benjamin Netanyahu afirmou que os três assentamentos tinham sido autorizados por governos anteriores. Em comunicado, o gabinete afirmou que a decisão é uma questão meramente “técnica e processual” e não altera a situação em terra.

No entenado, Bruchim e Rehalim foram identificados como colônias não autorizadas em um relatório do governo de 2005. O gabinete de Netanyahu reabriu esse relatório, dizendo que a objetividade da autora, a então procuradora Talia Sasson, ficou sob suspeita depois de ela ter se filiado a um partido contra os assentamentos.

A maior parte da comunidade internacional vê todos os assentamentos judaicos na Cisjordânia como ilegais. Entretanto, Israel faz distinção entre assentamentos que foram aprovados e os que nunca receberam uma autorização oficial.

Cerca de 350 colonos vivem em Bruchin e 240 em Rechelim, ambos na parte norte da Cisjordânia, enquanto Sansana, com uma população de 240, está mais ao sul.

Nenhum deles recebeu o status legal definitivo de comunidade formal e Netanyahu, apesar de ser politicamente forte, enfrentou questões dentro do próprio partido Likud e outras coalizões parceiras da ala-direita sobre seu comprometimento com os colonos.

A decisão foi anunciada no momento em que o enviado americano para o Oriente Médio, David Hale, visita a região para tentar retomar as negociações.

O governo palestino condenou a decisão. “Fazemos um apelo para que o governo israelense suspendas todas as ações unilaterais”, anunciou Nabil Abu Rdeneh, um autoridade palestina de alto escalão. “Netanyahu está criando um novo impasse.”

A principal organização pacifista do país, a Shalom Achshav ("Paz Agora", em hebraico) afirmou que a decisão prejudicará ainda mais as relações com os palestinos. "Os truques de Netanyahu não podem ocultar o fato de que, em vez de avançar rumo à paz, o governo está anunciando o estabelecimento de três novos assentamentos pela primeira vez desde 1990”, avaliou.

A deputada Zahava Gal-On, do partido de esquerda Meretz, acusou o Executivo direitista de apostar no conflito, em vez de trabalhar para sua resolução, ao "estabelecer novos assentamentos e manter as colônias ilegais nas colinas".

As autoridades palestinas aguardam uma resposta formal de Netanyahu a uma carta enviada na semana passada pelo presidente Mahmoud Abbas, na qual ele repete seu pedido de interrupção de toda atividade de construção em assentamentos. As conversações de paz estão congeladas desde 2010 por causa de um impasse sobre essa questão.

Há anos Israel promete a seu principal aliado, os EUA, remover dezenas de postos avançados de colonos, mas pouco fez para cumprir o compromisso, já que Netanyahu enfrenta pressão política na própria coalizão de governo.

Com AFP, AP e Reuters

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