No 7º dia de julgamento, acusado por massacre de julho ouve testemunhos sobre explosão de carro-bomba na capital da Noruega

Depois de prestar testemunho por cinco dias seguidos, Anders Behring Breivik , autor confesso do ataque duplo com 77 mortos na Noruega em julho, ouviu silenciosamente nesta terça-feira enquanto outros descreviam o horror causado pela explosão do carro-bomba no distrito do governo em Oslo, um cenário descrito por uma testemunha como uma "zona de guerra".

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Acusado de ataque duplo na Noruega em 22 de julho, Anders Behring Breivik, é visto algemado em corte de Oslo
AP
Acusado de ataque duplo na Noruega em 22 de julho, Anders Behring Breivik, é visto algemado em corte de Oslo
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Especialistas forenses explicaram os grandes ferimentos em quatro dos oito mortos pela explosão da bomba montada com 950 kg de fertilizantes em 22 de julho. Svein Olav Christensen, um especialista do governo em explosivos, disse à corte que uma recriação e simulações mostraram que a bomba de Breivik tinha uma potência equivalente a entre 400 e 700 quilos de TNT.

"Mais de cem partes de corpos foram encontradas no distrito governamental", disse Ole Morten Stoerseth, um policial encarregado de identificar as vítimas da explosão. Parentes dos mortos soluçaram e se abraçaram durante a apresentação das autópsias, mas o acusado não demonstrou nenhum sinal de emoção diante dos detalhes de seu banho de sangue, como tem sido desde o começo do julgamento, há mais de uma semana.

Breivik admite a ação em Oslo e o subsequente ataque a tiros em que massacrou 69 pessoas, em sua maioria jovens, em um acampamento da juventude do Partido Trabalhista norueguês na Ilha de Utoya . No entanto, embora seja autor confesso do atos terroristas, o extremista rejeita a culpa criminal com a alegação de que seus alvos eram "traidores". Em várias ocasiões, o extremista de direita de 33 anos disse que o ataque duplo de 22 de julho foi "cruel, mas necessário para deter a experiência multicultural e a invasão muçulmana da Noruega e da Europa".

Fotos dos ferimentos das vítimas não foram mostradas na corte, mas distribuídas aos juízes, promotores e advogados, assim como a psiquiatras que estão examinando Breivik durante o julgamento. "O corpo estava totalmente esmagado", disse Arne Stray-Pedersen, médico legista chefe da Noruega, descrevendo os resultados de uma das quatro necropsias e usando esboços anatômicos e fotos da explosão dos projéteis.

Durante o sétimo dia de julgamento, que está previsto para demorar dez semanas, também foram exibidas imagens dos danos causados pela bomba no centro de Oslo. Funcionários do governo e pedestres que passavam pelo local foram atingidos pela grande explosão da caminhonete carregada de explosivos estacionada perto dos prédios onde fica a sede do governo do primeiro-ministro trabalhista, Jens Stoltenberg, que não estava no local no momento.

O segurança Tor Inge Kristoffersen, que trabalhava no local no dia do ataque, foi a primeira das mais de 150 testemunhas que prestarão depoimento no processo contra Breivik e disse que, após o ataque, essa área do centro da capital norueguesa se tornou uma "zona de guerra".

Ele disse à corte como viu uma van branca em frente à entrada do prédio de 17 andares e relatou que começou a usar câmeras de vigilância para verificar se o veículo tinha autorização para estar na área.

"Quando dava zoom na placa do carro, ele explodiu", contou, acrescentando que "metade das imagens desapareceu de nossas telas porque as câmeras foram destruídas na explosão". "Houve um grande estrondo. Ouvimos um estrondo e percebemos a onda de choque no teto sobre nós", disse.

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Semanas depois dos ataques muitas questões foram levantadas sobre como o extremista de direita pode estacionar sua van tão perto do principal centro político da Noruega. Kristoffersen afirmou que uma construção há muito tempo atrasada buscava bloquear o tráfego na rua em frente ao prédio governamental, mas que os "estacionamentos ilegais" eram frequentes na área. "Expulsávamos carros de lá todos os dias", disse.

Já Thor Langli, líder da operação policial no dia do crime, relatou como nos primeiros momentos do incidente recebeu informações confusas sobre o autor do atentado, o número de terroristas envolvidos e a possibilidade de haver mais bombas. "Havia uma possibilidade de que mais bombas estivessem posicionadas e também que mais agressores pudessem estar agindo", disse Langli. "Durante um tempo, realmente acreditávamos lidar com dois perpetradores."

Breivik está sendo acusado de "atos de terror" e pode ser sentenciado a 21 anos - uma sentença que pode ser estendida indefinidamente se ele ainda for considerado uma ameaça para a sociedade - ou a cuidados psiquiátricos em local fechado, possivelmente para o resto da vida.

Breivik quer ser considerado são e responsável por suas ações, de forma que sua ideologia anti-Islã, apresentada em um manifesto de 1,5 mil páginas que publicou online pouco antes dos ataques, seja levada a sério e não seja considerada como delírio de um lunático.

Antes do julgamento, que deve durar dez semanas, uma equipe de psiquiatras nomeada pelo tribunal concluiu que Breivik era psicótico , enquanto um segundo grupo o considerou como mentalmente capaz .

*Com AP, AFP, Reuters e EFE

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