Órgão regulador britânico investiga Sky News, de Murdoch, por monitorar emails

Rede de TV admitiu ter autorizado acesso de repórteres a computadores para obter informações privadas

iG São Paulo |

O órgão que regula a mídia do Reino Unido, Ofcom, anunciou nesta segunda-feira a abertura de uma investigação sobre o monitoramento de contas de email por parte da Sky News, influente canal de notícias de Rupert Murdoch. No início do mês, a rede admitiu ter autorizado duas vezes que repórteres tivessem acesso a computadores para obter informações privadas.

Um porta-voz da Ofcom afirmou que a investigação será centrada em questões de “justiça e privacidade”. Não há previsão de quando os resultados do inquérito serão divulgados.

Leia também: Sky News, de Murdoch, admitiu ter autorizado monitoramento de emails

AP
Entrada da sede em Londres da BSkyB, cujo canal Sky News autorizou repórteres a ter acesso ilegal a emails

A Sky News pertence à plataforma televisiva BSkyB, cujo primeiro acionista é a News Corporation , o grupo do magnata americano Rupert Murdoch, abalado desde o ano passado pelo escândalo das escutas telefônicas ilegais realizadas por funcionários do hoje extinto jornal dominical News of the World . O filho do magnata, James Murdoch, demitiu-se da presidência da BSkyB, argumentando que não queria que o escândalo prejudicasse a companhia.

De acordo com a direção da Sky News, repórteres tiveram acesso a emails de Anne e John Darwin, conhecido como o “casal da canoa”, que ficou famoso no Reino Unido depois de ele fingir sua própria morte em um acidente de navegação como parte de um plano para conseguir o dinheiro do seguro.

A Sky News reconheceu ter interceptado os emails do casal, mas disse que o material foi obtido pela polícia. “Entendemos por essas ações como editorialmente justificáveis e de interesse público. Não tomamos decisões como essa facilmente ou com frequência”, afirmou o direitor John Ryley, ao insistir que nada de errado havia sido feito.

Ele acrescentou ainda que, em 2004 durante uma investigação, jornalistas da Sky News compraram uma submetralhadora Uzi para ilustrar a disponibilidade de armas proibidas no Reino Unido. Em 2003, um repórter se inflitrou em uma área restrita do Aeroporto de Heathrow, em Londres, para mostrar falhas de segurança. “Essas investigações servem ao interesse publico e são parte legítima de um jornalismo responsável”, disse Ryley.

O grampeamento de emails feito pela Sky News, noticiado primeiro pelo jornal britânico The Guardian, pode vir a ser uma dor de cabeça ainda mais forte para Murdoch. Seu império de mídia internacional passou a maior parte do ultimo ano sendo manchete de jornais pelo escândalo em torno dos grampos ilegais feitos pelo tabloide News of the World, no qual jornalistas grampearam telefones de celebridades, famílias de vítimas de violência e soldados mortos no Afeganistão.

A News Corporation possui uma participação de 39,1% na BSKyB, que é dona da Sky News. Depois dos escândalos de grampos ilegais em julho, Murdoch foi obrigado a abandonar as negociações em torno da aquisição completa da operadora de TV via satélite.

Com AP e AFP

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