Eleição presidencial na França pode ter implicações para o bloco europeu

Franceses votam em eleição disputada entre o presidente Nicolas Sarkozy e o socialista François Hollande; participação é alta

iG São Paulo |

Os franceses vão às urnas hoje para o primeiro turno de uma eleição presidencial que pode ter implicações significativas para a Europa e o euro no momento em que o bloco passa por um momento marcado pela crise econômica. A participação nas urnas foi considerada alta, ultrapassando os 80%.

Votação: Eleitores vão às urnas na França para escolher presidente

Segundo pesquisas de opinião dos últimos meses, o presidente Nicolas Sarkozy, que tenta reeleição e ameaça rever a política migratória do bloco, e o rival socialista François Hollande serão os finalistas dentre 10 candidatos que disputam a primeira fase da eleição presidencial. O presidente francês e o político socialista - que gera incerteza quanto ao cumprimento de medidas de austeridade exigidas pelo bloco europeu - deverão se enfrentar novamente no segundo turno previsto para 6 de maio.

Segundo a rede de TV belga RTBF, Hollande receberá entre 27% e 30% dos votos, contra 25% e 27% de Sarkozy. A rede de televisão informou ainda que a candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen, ficaria em terceiro, com entre 15% e 17% dos votos.

AP
O socialista François Hollande cumprimenta garota depois de votação, para qual foi acompanhado pela companheira Valérie Trierweiler (E)
Apesar do favoritismo apontado pelas consultas, há entre os 44,5 milhões de eleitores registrados um número significativo de indecisos e mais de 25% que podem se abster de votar.

Segundo o Minsitério do Interior, a participação no primeiro turno do pleito presidencial na França chegou a 80,3% dos eleitores às 17h locais (12h de Brasília). A última eleição presidencial, cinco anos atrás, registrou recorde de participação, com 84% dos eleitores nas urnas.

Os últimos colégios eleitorais estão programados para fechar às 20h locais (15h de Brasília) e os resultados oficiais estão estimados para serem divulgados logo depois.

Saiba mais: Conheça os candidatos nas eleições presidenciais da França

Neste ano, a expectativa é que os resultados contrastem drasticamente com os de cinco anos atrás, quando três quatros dos franceses votaram nos principais candidatos. Naquela campanha, o terceiro colocado era o centrista François Bayrou, que conquistou 18% dos votos.

Desta vez, no entanto, muitos eleitores se veem insatisfetiso com as propostas dos principais candidatos – Sarkozy e Hollande – e devem votar em nome com menores chances, particulamente Marine Le Pen, e Jean-Luc Mélenchon, da Frente de Esquerda, que reúne comunistas. Juntos, Le Pen e Mélenchon podem ter 30% dos votos e roubar votos de Sarkozy, Hollande e Bayrou, que nesta eleição mantém cerca de 10%.

Além disso, na opinião de parte dos cidadãos, os candidatos falharam em apresentar soluções concretas para esses problemas, em uma campanha de pouco brilho. As frustrações com o estilo mais exibicionista de Sarkozy e com a imagem apagada de Hollande também favoreceram o crescimento de candidatos radicais.

Segundo o jornal The New York Times, a tradição francesa diz que no primeiro turno os eleitores votam com o coração, enquanto no segundo eles usam a cabeça, em uma alusão à estratégia para derrotar o candidato que não querem que vença.

Ainda que as pesquisas apresentarem margem de erro de três pontos percentuais, a disputa permanece apertada para todos os candidatos.

Pesquisas de intenção de voto indicam que Hollande se mostra como o favorito e pode levar a uma mudança de direção da política da França, que é pilar da União Europeia.

Crise econômica

A eleição deste domingo é marcada por uma forte preocupação com a crise na zona do euro e com o desemprego provocado por ela.

Sarkozy, que ocupa a Presidência desde 2007, prometeu reduzir o grande deficit orçamentário francês e combater a evasão fiscal. Ele também defende um ato chamado Buy European (Compre Produtos Europeus) para contratos públicos e ameaçou tirar a França da zona migratória comum europeia, alegando que alguns países-membros não têm feito o bastante para conter a imigração de não-europeus.

Já Hollande prometeu aumentar impostos sobre grandes corporações e pessoas que ganham mais de 1 milhão de euros por ano. Também defendeu um aumento no salário mínimo, a contratação de mais 60 mil professores e a redução na idade para aposentadoria de alguns trabalhadores, de 62 a 60.

Se eleito, Hollande será o primeiro presidente esquerdista da França desde François Mitterrand, que cumpriu dois mandatos entre 1981 e 1995. Sarkozy seria então o primeiro presidente a não vencer um segundo mandato desde Valery Giscard d'Estaing, em 1981.

Salários, pensões, impostos e desemprego são apontados como as principais preocupações dos eleitores franceses na atual votação.

Votação

Neste domingo, Sarkozy votou no seleto 16º distrito de Paris na companhia de sua esposa Carla Bruni, enquanto Hollande cumpriu com seu dever eleitoral na cidade de Tulle, centro da França, juntamente com sua companheira Valérie Trierweiler.

Eleitores: Candidatos disputam votos de 11 milhões de franceses indecisos

Sarkozy, que votou logo depois de sua mulher, deixou o centro de votação sem dar declarações, limitando-se a cumprimentar seus partidários que o aguardavam na rua.

Já Hollande saudou as pessoas presentes na mesa de votação e depois iniciou um giro pelos outros centros eleitorais da cidade.

"Estou atento, mobilizado. O dia que começa vai ser um longo momento. É um momento importante", declarou Hollande depois de votar às 10h10 (05h10 de Brasília) na escola Marie Laurent de Tulle.

AFP
Sarkozy foi votar acompanhado de sua mulher, Carla Bruni
À tarde, Hollande irá ao seu gabinete do Conselho Geral do Departamento de Correze, onde esperará a divulgação dos resultados do primeiro turno.

Até o meio-dia, todos os candidatos haviam votado. Mélenchon votou em Paris, enquanto o operário Philippe Poutou, candidato anticapitalista, fez o mesmo em Bordeaux, oeste da França.

Marine Le Pen que disputa com Mélenchon o terceiro lugar atrás de Hollande e Sarkozy votou em seu reduto de Henin-Beaumont, norte da França.

O candidato centrista François Bayrou votou na cidade de Pau, sudoeste da França, sua região natal. "É um dia muito importante. A eleição presidencial é decidida no primeiro turno, pois a grande maioria dos franceses ainda não sabe em quem votar", disse Bayrou.

A candidata troskista Nathalie Arthaud votou no subúrbio de Lyon, enquanto a ambientalisa Eva Joly, em Paris.

Para territórios ultramarinos franceses e eleitores que vivem fora do país, a votação para presidente começou no sábado .

*Com AFP e BBC

    Leia tudo sobre: eleição na françafrançale penhollandesarkozyjolybayroumélechoncriseeuro

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG