'Normalmente sou uma pessoa muito boa', diz extremista da Noruega

Em quinto dia de julgamento, Breivik diz que frieza ao falar sobre ataques funciona como 'mecanismo de proteção'

iG São Paulo |

No quinto dia de seu julgamento pelo massacre que deixou 77 mortos em julho de 2011, Anders Behring Breivik , 33 anos, disse ser “uma pessoa muito boa em circunstâncias normais” e ter usado uma estratégia de “desumanização” dos alvos para se preparar para o duplo ataque.

Questionado por um advogado sobre a frieza com que fala sobre suas vítimas, sem demonstrar sinais de arrependimento, Breivik afirmou que o uso de uma “linguagem técnica” funciona como um “mecanismo de proteção”. “Estes atos são bárbaros. Se tentasse usar uma linguagem mais normal, não acho que seria capaz de falar sobre eles”, afirmou. “Posso escolher remover o escudo mental, mas não vou fazer isso, porque não poderia sobreviver.”

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AP
Anders Behring Breivik participa de audiência no quinto dia de seu julgamento em Oslo, na Noruega

O extremista disse ter tido “padrões emocionais normais” até 2006, quando “embarcou no treinamento” para os ataques. “Tive uma estratégia de desumanização em relação aqueles que considero alvos legítimos. Sem isso, não teria sido capaz (de cometer o atentado)”, justificou.

Breivik assumiu a responsabilidade pelos ataques de 22 de julho de 2011, mas se declarou inocente das acusações criminais dizendo que suas vítimas tinham traído a Noruega ao abraçar a imigração. O modo frio como falou sobre os atentados desde o início do julgamento chocou familiares dos mortos, a maioria adolescentes que participavam de um acampamento para jovens do Partido Trabalhista.

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Questionado sobre se era capaz de sentir tristeza, o extremista respondeu que sim e disse que o funeral de um amigo de seu irmão foi “o dia mais triste” de sua vida.

O advogado de uma das vítimas lembrou que Breivik chorou no primeiro dia de julgamento ao ver um vídeo antimuçulmano que ele criou.

“Não estava preparado para aquilo. É um filme que representa a luta e tudo o que eu amo”, justificou Breivik.

Al-Qaeda

Durante a audiência desta sexta-feira, Breivik disse que usou a internet para se preparar para o duplo ataque, estudando ações da rede terrorista Al-Qaeda, que definiu como “o mais bem-sucedido movimento revolucionário do mundo”.

Segundo Breivik, a rede deve servir de inspiração para militantes da extrema-direita. “Estudei cada uma de suas ações, no que acertaram e no que erraram”, disse. “Queremos criar uma versão europeia da Al-Qaeda.”

Breivik também disse ter se dedicado ao estudo do ataque realizado por Timothy McVeigh em um prédio do governo americano em Oklahoma, nos EUA. A ação de 1995 deixou 168 mortos e mais de 600 feridos. Outro atentado estudado por Breivik foi a explosão de uma bomba em uma van no World Trade Center, em Nova York, que deixou seis mortos em fevereiro de 1993.

A questão crucial do julgamento é determinar a sanidade de Breivik e se ele será encaminhado a uma prisão ou à assistência psiquiátrica compulsória pelo ataque duplo. Uma avaliação psiquiátrica o caracterizou como psicótico e "delirante" , enquanto outra o considerou competente mentalmente para ser enviado à prisão.

Com BBC e AP

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