Índia testa com sucesso seu primeiro míssil nuclear de longo alcance

Agni-V tem raio de ação superior a cinco mil quilômetros, suficiente para alcançar as cidades chinesas de Pequim e Xangai

iG São Paulo |

A Índia testou com sucesso nesta quinta-feira seu primeiro míssil nuclear de longo alcance, com um raio de ação superior a cinco mil quilômetros e capaz de alcançar as cidades chinesas de Pequim e Xangai.

O míssil Agni-V ainda precisa passar por outros testes e procedimentos burocráticos antes de se tornar parte do arsenal indiano. Mas autoridades disseram que o lançamento mostra que a Índia se consolidou entre as nações mais poderosas e cientificamente avançadas do mundo. “Nosso país se destacou hoje”, afirmou o ministro da Defesa, A.K. Antony. “Depois desse lançamento, emergimos como uma potência.”

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Projétil foi lançado com sucesso e pode atingir alvos a longa distância

As autoridades indianas previam o lançamento para a tarde de quarta-feira na ilha de Wheeler, situada em frente à costa oriental do país, no Golfo de Bengala, mas o plano teve de ser adiado devido a uma forte tempestade.

"A Índia é hoje um país com capacidade provada para projetar, desenvolver e produzir um míssil balístico de longo alcance. Agora somos uma potência em matéria de mísseis", disse o chefe da Organização de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa (DRDO, na sigla em inglêS), V.K. Saraswat. "O rendimento do míssil Agni-V ficou provado com sucesso em suas três fases. Todos os objetivos da missão e os objetivos operacionais foram alcançados", acrescentou.

Com o lançamento, a Índia entra em um pequeno grupo de países capazes de atingir alvos a longa distância, composto por Rússia, China, Estados Unidos, França e Reino Unido, embora se acredite que Israel também possui algum tipo de projétil similar.

O novo míssil indiano pode chegar, teoricamente, a quase todos os pontos da Ásia e da Rússia, e a algumas das principais cidades da Europa Oriental. Autoridades indianas disseram que o teste não significa uma ameaça a nenhum país devido a uma política de só usá-los em resposta a um ataque. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Liu Weimin, se recusou a comentar o lançamento indiano em uma coletiva nesta quinta-feira, dizendo apenas que China e índia devem trabalhar juntos como parceiros estratégicos.

Mas um jornal chinês ligado ao governo disse que a Índia não deve superestimar sua força. “Deve ficar claro que o poder nuclear da China é mais forte e confiável. No futuro próximo, a Índia não tem chance na corrida armamentista com a China”, afirmou um editorial do Global Times, publicado pelo Partido Comunista chinês.

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Mark Toner, fez um apelo para que todos os Estados nucleares tenham calma, mas lembrou o histórico de não proliferação da Índia. “É um país engajado à comunidade internacional na luta contra a proliferação”, afirmou.

O teste indiano acontece dias depois de um lançamento fracassado de foguete na Coreia do Norte. O lançamento foi condenado pela comunidade internacional, que duvidou do caráter pacífico do foguete e disse se tratar de um teste de míssil balístico.

Com AP e EFE

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