Afeganistão e Taleban condenam fotos de soldados dos EUA

Fotos feitas por militares com restos mortais de homens-bomba foram publicadas pelo Los Angeles Times; controvérsia é a 4ª do ano de americanos no país

iG São Paulo |

O presidente afegão, Hamid Karzai, condenou nesta quinta-feira as fotografias de soldados americanos posando com os corpos mutilados de homens-bomba afegãos, chamando-as de "desumanas", e pediu uma transição rápida da segurança para as forças do Afeganistão a fim de evitar mais incidentes.

Escândalo: Soldados dos EUA posaram com restos mortais de homens-bomba

A divulgação das imagens foi um novo golpe para as relações entre Estados Unidos e Afeganistão, em um momento em que Washington tenta assinar um acordo estratégico com Karzai sobre a presença dos EUA no país após a retirada da maioria das tropas estrangeiras em 2014.

Reprodução
Reprodução do site do LA Times mostra foto de soldados americanos com corpo de homem-bomba no Afeganistão
"O presidente afegão enfatizou que a única maneira de evitar tais experiências amargas no futuro é uma transição de segurança rápida e completa das forças estrangeiras", disse um comunicado do gabinete de Karzai. "O Afeganistão pode tomar seu destino em suas próprias mãos e muito em breve neste país não haverá quaisquer más ações por tropas estrangeiras."

1ª controvérsia do ano: EUA condenam vídeo de soldados urinando em corpos de afegãos

2ª controvérsia do ano: Afegãos protestam contra queima do Alcorão em base dos EUA

3ª controvérsia do ano: Soldado abre fogo contra civis e mata pelo menos 16 no Afeganistão

Segundo Karzai, posar da maneira como o fizeram soldados americanos em 2010 ao lado de cadáveres é algo "repugnante".

Os laços entre Karzai e seus aliados ocidentais estão tensos devido a uma série de incidentes, incluindo a queima de exemplares do Alcorão inadvertidamente por soldados norte-americanos, bem como o massacre de 17 moradores da qual um soldado dos EUA foi acusado.

Os incidentes ajudaram a alimentar o sentimento anti-Ocidente no país antes de uma reunião crucial em maio em Chicago para discutir a futura dimensão e financiamento das forças de segurança afegãs depois do prazo de 2014 de saída das tropas da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Vingança

O Taleban afegão, que reivindicou a responsabilidade pelos ataques do fim de semana em Cabul e em outras três províncias, jurou vingança contra as forças americanas no país após a publicação das fotos pelo jornal Los Angeles Times.

"Eles serão punidos por seus atos e nos vingaremos. Quando e como cabe aos nossos oficiais militares", disse o porta-voz do Taliban Zabihullah Mujahid.

Autoridades americanas condenaram o comportamento dos soldados nas fotos publicadas.

Em uma das fotos, soldados americanos posam com a mão de um insurgente morto com o dedo médio levantado. Em outra, um paraquedista posou próximo a uma insígnia não-oficial colocada ao lado de um corpo que dizia: “Caçador de Zumbis", enquanto em outra imagem soldados posaram com a polícia afegã segurando as pernas decepadas de insurgentes suicidas.

Pedidos de desculpas de Washington não ajudaram a acalmar a ira do Taleban. "Tais fotos por parte de norte-americanos invasores não são algo novo, mas o que parece novo nessas fotos é os afegãos parecerem escravos, posando ao lado de seus mestres invasores que tiram sarro de cadáveres", disse ele.

Na quarta-feira, o secretário de Defesa americano, Leon Panetta, disse que lamentava a decisão do Los Angeles Times de publicar as fotos, o que segundo ele pode desencadear violência retaliatória contra os soldados estrangeiros no Afeganistão.

Na última semana, insurgentes lançaram uma série de ataques coordenados em quatro províncias, alvejando áreas diplomáticas e o governo de Cabul com foguetes e tiros.

Segundo eles, a ofensiva era uma retaliação às controvérsias envolvendo soldados americanos no Afeganistão.

*Com Reuters

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