Promotoria tenta provar que extremista norueguês agiu sozinho

No 3º dia de julgamento, Breivik é pressionado sobre a existência dos 'Cavaleiros Templários', que descreveu em manifesto na web

iG São Paulo |

AP
Extremista norueguês Anders Behring Breivik, autor confesso de massacre de 77 pessoas, faz gesto ao entrar em corte de Oslo
No terceiro dia de seu julgamento pelo massacre de 77 pessoas em julho, um irritado Anders Behring Breivik , 33, recusou-se nesta quarta-feira a responder as questões dos promotores sobre o grupo antimuçulmano ao qual ele alega pertencer, pedindo para que não o ridicularizassem. "Qualquer um poderia fazer o que fiz", disse.

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Os promotores disseram acreditar que os chamados "Cavaleiros Templários" de Breivik não existem na forma como ele descreveu. Breivik insiste que existem, dizendo que a polícia apenas não fez um trabalho bom o suficiente para descobri-los. "Não é de meu interesse dar detalhes que poderiam levar a prisões", afirmou.

A questão é crucial para determinar a sanidade de Breivik e se ele será encaminhado a uma prisão ou à assistência psiquiátrica compulsória pelo ataque duplo lançado com um carro-bomba em Oslo , deixando oito mortos, e com disparos na Ilha de Utoya , matando 69, crimes que chocaram a Noruega em 22 de julho.

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Breivik alega ter feito os ataques em nome da organização, que ele descreveu em um manifesto de 1,5 mil páginas divulgado na internet antes dos atentados como um grupo nacionalista militante que combate a colonização muçulmana na Europa.

A promotora Inga Bejer Engh pressionou o norueguês por detalhes sobre o grupo, seus membros e seus encontros. Breivik alegou ter encontrado um "herói de guerra" sérvio vivendo no exílio durante uma viagem à Libéria em 2002, mas rejeitou identificá-lo.

"O você quer?", indagou Breivik à promotora para então responder ele mesmo a questão: "(Os promotores) querem criar dúvidas sobre a existência da rede Cavaleiros Templários." O principal ponto de sua defesa é evitar a conclusão de insanidade, que esvaziaria seus argumentos políticos.

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Uma avaliação psiquiátrica o caracterizou como psicótico e "delirante" , enquanto outra o considerou competente mentalmente para ser enviado à prisão.

Se considerado são, Breivik pode enfrentar a pena máxima de 21 anos ou uma custódia alternativa que poderia mantê-lo preso enquanto for considerado uma ameaça à sociedade. Se declarado louco, ele ficaria sobre tratamento psiquiátrico enquanto fosse considerado doente.

Breivik também se recusou a dar detalhes sobre as supostas sessões de fundação dos Cavaleiros Templários em Londres em 2002. "Sim, houve um encontro em Londres", disse após a promotora o desafiar sobre se o encontro realmente aconteceu.

"Não é algo que você inventou", insistiu Inga Bejer Engh. "Não inventei nada, mas você tem de olhar o que está escrito (no manifesto) dentro de um contexto. É uma glorificação de certos detalhes", respondeu o extremista.

Como nos dois primeiros dias do processo, Breivik entrou na sala 250 do tribunal de Oslo com a saudação de punho fechado e braço estendido, um gesto que segundo ele representa "a força, a honra e o desafio aos tiranos marxistas da Europa".

Na terça-feira, durante 75 minutos longos e dolorosos para os parentes das vítimas, Breivik leu uma declaração na qual tentou explicar seu gesto, "incrivelmente atroz mas necessário", nas palavras do réu, antes de afirmar que se fosse necessário faria tudo de novo .

*Com AP e AFP

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