Militares e oposição chegam a acordo na Guiné-Bissau

Conselho de Transição deve nomear governo e presidente provisório para que Exército volte aos quartéis

iG São Paulo |

AP
O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Junior, faz campanha na capital, Bissau (16/03)
A junta militar e os principais partidos da oposição da Guiné-Bissau chegaram a um acordo nesta quarta-feira para que sejam realizadas eleições depois de um período de transição de dois anos.

Tensão: Exército prende primeiro-ministro da Guiné-Bissau, mas nega golpe

O acordo, anunciado à imprensa, confirma a dissolução das instituições, depois do golpe de Estado de 12 de abril e a criação de um Conselho Nacional de Transição que deverá nomear um presidente e um governo provisório.

Segundo fontes que participaram das conversas, o Exército voltará aos quartéis depois de um "novo presidente" ser nomeado.

As fontes disseram que a Assembleia Nacional fica dissolvida, assim como o governo. A estrutura hierárquica do Exército, no entanto, é mantida.

Os principais líderes da oposição na Guiné-Bissau haviam se distanciado na segunda-feira dos autores do golpe de Estado de 12 de abril, enquanto aumentava a pressão internacional contra os golpistas.

O golpe de Estado aconteceu pouco mais de duas semanas após o segundo turno das eleições presidenciais, no dia 29 de abril.

Detenção

Na semana passada, soldados prenderam o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Jr. Em comunicado divulgado pela TV estatal, o Exército negou se tratar de um golpe de Estado e disse não estar “buscando poder” mas, sim, impedir a invasão do país por tropas da Angola.

De acordo com o comunicado do Exército, Gomes iria permitir a entrada de tropas angolanas, que como a Guiné-Bissau foi uma colônia de Portugal, para atacar os militares. “O governo quer usar forças estrangeiras para aniquilar as forças nacionais”, disse a nota.

A Guiné-Bissau tem um histórico de golpes e revoltas militares, e atualmente está no meio de um processo eleitoral para a escolha do sucessor do presidente Malam Bacai Sanhá, que morreu em janeiro, em Paris, após longa doença.

Gomes Jr. esteve perto de conseguir a maioria absoluta no primeiro turno da eleição, no mês passado. Seu adversário do segundo turno em 29 de abril, Kumba Yala, e quatro outros candidatos prometem boicotar a votação por causa de supostas fraudes no primeiro turno.

*Com AFP

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