Líder sudanês diz que libertará Sudão do Sul de seus governantes

Além de ameaça de Bashir, chancelaria promete adotar medidas diplomáticas e militares para acabar com conflito em área petrolífera

EFE |

O presidente sudanês, Omar Hassan al-Bashir, prometeu nesta quarta-feira "libertar" o Sudão do Sul de seus atuais governantes, o Movimento Popular de Libertação do Sudão (MPLS), em meio à crescente tensão entre ambos os países.

Tensão: Parlamento do Sudão declara governo do Sudão do Sul inimigo

"Nosso principal objetivo a partir de hoje é libertar o Sudão do Sul do governo do MPLS. É nossa responsabilidade diante de nossos irmãos sul-sudaneses", disse Bashir em discurso realizado durante reunião da juventude do Partido do Congresso Nacional.

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Bashir apoiou ações do Exército sudanês em evento em Cartum
Para Bashir, os regimes de Cartum e Juba "não cabem juntos nas fronteiras do antigo Sudão", e por isso um dos dois deverá acabar com o outro. O governante garantiu que nas próximas horas chegarão "boas notícias da região em disputa entre ambos os países", a zona petrolífera de Heglig, que foi ocupada em 10 de abril pelas forças do Sudão do Sul.

Nesta quarta-feira, um alto diplomata de Cartum advertiu que seu governo usará todos os meios para acabar com "agressão" a região de Heglig.

O diretor do Departamento de Relações Internacionais do Ministério das Relações Exteriores do Sudão, Omar Dahab, disse que seu país tem o direito de adotar medidas diplomáticas e militares para atingir esse objetivo.

Nesse sentido, classificou o que ocorre na conflituossa região como "um menosprezo aos princípios da Carta da ONU que proíbem a agressão aos países, especialmente a ocupação, que é a mais brutal das agressões".

"O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve trabalhar para pôr fim à situação de Heglig", ponderou Dahab, para quem o pedido da presidente rotativa do Conselho, Susan Rice, de aplicar sanções a Cartum e Juba é "injusto".

Além disso, Dahab disse que o Sudão tem direito de ser indenizado por todas as perdas causadas pela ocupação sul-sudanesa.

Liga Árabe

Ainda nesta quarta-feira, o governo sudanês pediu à Liga Árabe que convoque uma reunião urgente na próxima semana para discutir o conflito na fronteira.

Cartum acusa o Exército do Sudão do Sul de destruir instalações petrolíferas em Heglig. O governo de Juba, no entanto, disse que não atacou territórios sudaneses e que o Sudão do Sul é agredido "diariamente" por bombardeiros lançados pelo país vizinho.

A disputa por Heglig aumentou na semana passada, quando o Exército do Sudão do Sul passou a controlar a zona, o que levou Cartum a lançar uma contraofensiva para expulsar as forças inimigas.

A região de Heglig tem uma das maiores reservas de petróleo do Sudão e sua soberania é reivindicada por ambos os países.

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