Líder da oposição Suu Kyi visitará Europa após 24 anos em Mianmar

Após reformas em país e conquista de assento em Parlamento, líder democrática viajará a Reino Unido e Noruega, onde receberá Nobel

Reuters |

A recém-eleita deputada birmanesa Aung San Suu Kyi , ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, viajará para fora de Mianmar pela primeira vez em 24 anos, depois de aceitar convite para visitar a Noruega e o Reino Unido em junho, informaram assessores dela nesta quarta-feira.

AP
A líder da democracia de Mianmar, Aung San Suu Kyi (C), é reverenciada por membros da Liga Nacional pela Democracia durante cerimônia na sede do partido
A viagem é mais um desdobramento de meses de dramáticas mudanças em Mianmar, incluindo a histórica eleição parlamentar parcial no início de abril na qual ela conquistou um assento no Parlamento, após quase cinco décadas de opressivo regime militar.

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Durante a viagem, Suu Kyi irá à cidade britânica de Oxford, em cuja universidade estudou nos anos 1970, informou o porta-voz de seu partido, a Liga Nacional pela Democracia, Nyan Nin. Em Oslo, Suu Kyi receberá seu Prêmio Nobel da Paz concedido em 1991 . Nyan Nin disse não saber ainda a data exata da viagem nem qual país ela visitará primeiro.

"Ela fará seu discurso do Nobel no Grande Hotel de Oslo", onde ocorre todos os anos a tradicional cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz, informou o diretor do Instituto Nobel encarregado pelos eventos, Sigrid Langebrekke.

No mesmo dia, a Noruega anunciará a retirada de boa parte de suas sanções contra o Mianmar, após as reformas empreendidas no país, que permaneceu por muito tempo fechado à comunidade internacional.

Suu Kyi, de 66 anos, foi detida pela primeira vez em 1989 e ficou presa 15 dos 21 anos seguintes, na maior parte em prisão domiciliar, até ser libertada em novembro de 2010 . Ela se recusou a deixar Mianmar durante os breves períodos em que não esteve presa por temer não poder retornar ao país.

As autoridades do Mianmar afirmaram na quarta-feira que a opositora fez um pedido de passaporte, mas que o documento ainda não o foi emitido.

O Nobel da Paz lhe foi concedido pelo Comitê do Nobel norueguês "por sua luta não violenta em favor da democracia e dos direitos humanos". Mas ela nunca pôde ir a Oslo para recebê-lo pessoalmente. Suu Kyi sempre afirmou que tentaria realizar sua primeira viagem ao exterior indo à Noruega, em sinal de gratidão.

Seu marido Michael Aris, já morto, e seus dois filhos receberam em seu nome a medalha, o diploma e o dinheiro do prêmio durante uma cerimônia oficial no Grande Hotel de Oslo, em 1991. Contudo, o discurso proferido habitualmente pelos laureados na ocasião de entrega do prêmio nunca foi pronunciado por Suu Kyi. Seu filho Alexandre fez um simples discurso de agradecimento.

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Langebrekke explicou que o Instituto Nobel desejava organizar para ela o tradicional jantar em homenagem aos laureados.

Instalada no Reino Unido, onde completou parte de seus estudos e se casou o acadêmico britânico Aris, Suu Kyi retornou ao Mianmar em abril de 1988 para visitar sua mãe doente e nunca mais conseguiu sair.

Em agosto de 1988, em pleno levante popular, a filha do general Aung San, herói da independência do Mianmar assassinado, pronunciou seu primeiro discurso público, que atingiu o coração dos birmaneses. A repressão deixou cerca de 3 mil mortos. Mas o ícone já havia nascido.

*Com Reuters e AFP

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