Agentes dos EUA levaram ao menos 20 prostitutas a hotel, diz senadora

Membros do Serviço Secreto e militares estavam em Cartagena para organizar a segurança de Obama antes de Cúpula das Américas

iG São Paulo |

A senadora americana Susan Collins disse nesta terça-feira que agentes do Serviço Secreto e alguns militares dos EUA teriam levado 20 ou 21 mulheres para um hotel na Colômbia, em um incidente durante a 6ª Cúpula das Américas , na semana passada, que está sendo investigado como um caso de má conduta envolvendo prostitutas.

AP
Pessoas passam na frente do Hotel El Caribe em Cartagena, Colômbia, onde agentes do Serviço Secreto e militares dos EUA teriam mantido relações com prostitutas (14/4)
Saiba mais: Agentes são suspensos após suposto envolvimento com prostitutas

Os agentes da corporação encarregada da segurança do presidente dos EUA foram afastados e repatriados a Washington na sexta-feira, pouco antes de Barack Obama chegar à Cartagena das Índias, onde ocorreu a cúpula. A suposta negligência dos agentes é apontada pelos meios de comunicação dos EUA como possível maior escândalo da história do Serviço Secreto.

Susan recebeu a informação do diretor do Serviço Secreto, Mark Sullivan, na noite de segunda-feira. "Há 11 agentes envolvidos. Eles levaram para o hotel 20 ou 21 mulheres estrangeiras", disse a senadora republicana, em comentários enviados por e-mail à Reuters por seu porta-voz. Além dos 11 agentes do Serviço Secreto, ao menos dez militares americanos também estariam envolvidos no caso.

"Desapontamos o chefe", disse o presidente do Estado-Maior Conjunto americano, Martin Dempsey, em uma coletiva no Pentágono na segunda-feira. Também na segunda-feira, o presidente da Comissão de Vigilância da Câmara de Representantes dos EUA, o republicano Darrell Issa, disse à rede CBS que o escândalo sexual pôs em risco a segurança nacional.

Para o legislador, a atuação dos oficiais "comprometeu o círculo de segurança", já que as pessoas com quem se relacionaram poderiam por "todo tipo de microfones" ou, no futuro, "fazer chantagens". "O que nos preocupa é que o erro de hoje possa levar a uma chantagem em cinco, 10 ou 20 anos", afirmou Issa.

De acordo com fontes governamentais, porém, nenhum dos agentes envolvidos se encarregava da segurança pessoal do presidente, mas faziam parte de uma delegação encarregada de vigiar possíveis ameaças antes de sua chegada à cidade.

No dia que a notícia vazou, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, ressaltou que Obama mantém "plena confiança" no Serviço Secreto, afirmando que o incidente não afetou a segurança do líder na localidade colombiana.

Mas dificilmente o caso não deixará uma mancha na imagem do Serviço Secreto, que já investiga os agentes acusados de "negligência" por meio de sua força interna, o Escritório de Responsabilidade Profissional.

Segundo o último relato de fontes oficiais, citadas pelo Washington Post, o incidente começou durante uma noite de festa no Hotel Caribe na quarta-feira, quando um dos agentes manteve relações sexuais com uma colombiana. Ainda não se sabe se o suspeito sabia que ela era uma prostituta, de acordo com o jornal americano.

Quando o agente se negou a pagar, a mulher iniciou uma discussão e chamou a polícia colombiana, que, por sua vez, avisou a Embaixada dos EUA em Bogotá. Assim, o caso chegou finalmente ao Departamento de Estado e ao Serviço Secreto.

O escândalo se agravou na tarde do sábado, quando o Comando Sul dos EUA informou que militares que se encontravam no mesmo hotel que os agentes de segurança para apoiar seu trabalho estão sob investigação por possível "conduta inadequada", após violar o toque de recolher a que estavam submetidos.

Embora a prostituição seja legal em certas áreas da Colômbia, recorrer a ela é considerado uma violação do protocolo dos agentes encarregados da segurança do presidente dos EUA.

O episódio de Cartagena não é o primeiro deslize protagonizado pela força encarregada da segurança presidencial, marcada por incidentes como o de novembro, quando um de seus agentes foi acusado de assassinato em segundo grau após atirar em um homem no Havaí.

Até agora, o tropeço mais famoso do Serviço Secreto era o que lhes levou a permitir que Tareq e Michaele Salahi entrassem sem convite em um jantar de Estado na Casa Branca em novembro de 2009.

*Com Reuters, EFE e AP

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