Parlamento do Sudão declara governo do Sudão do Sul inimigo

Resolução é feita em meio aos crescentes confrontos entre os vizinhos em região petrolífera na fronteira

iG São Paulo |

O Parlamento sudanês declarou nesta segunda-feira o governo do Sudão do Sul como "inimigo", devido à ocupação, há uma semana, da região fronteiriça de Heglig, rica em petróleo e palco de confrontos entre tropas dos dois países.

Confronto: Sudão do Sul se recusa a tirar tropas de região petrolífera na fronteira

A resolução dos deputados sudaneses, aprovada por unanimidade, considera o Executivo do Sudão do Sul "inimigo do Sudão" e pede a todas as instituições sudanesas que tratem o país vizinho a partir dessa perspectiva.

AP
Área em Bentiu, no Sudão do Sul, após bombardeio da Força Aérea Sudanesa (14/4)
Após o anúncio da votação, o presidente do Parlamento do Sudão, Ahmed Ibrahim Al Tahir, solicitou aos deputados que atuem para derrotar o Movimento Popular para a Libertação do Sudão (MPLS), que governa em Juba. "Enfrentaremos o MPLS e uniremos todas nossos esforços para alcançar esse objetivo", disse.

O MPLS é o movimento que lutou pela independência do Sul do Sudão durante duas décadas e atualmente governa o novo país, nascido em julho do ano passado, após um plebiscito entre seus habitantes.

Tensão

A disputa por Heglig se agravou na última semana. Na quinta-feira, o presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, disse que o país não retirará suas tropas da região que entrou em acirrada disputa na fronteira com o Sudão.

O anúncio foi feito ao líder ao Parlamento em meio à escalada de confrontos na fronteira entre os dois países. O líder acrescentou também que o Exército Popular de Libertação do Sudão (EPLS) voltaria a ocupar a área de Abyei, atualmente sob controle de militares sudaneses, se a ONU não pedir imediata retiradas das tropas do Sudão.

Na quarta-feira, tropas do Sudão do Sul tomaram controle da cidade de Hegling, em uma região na fronteira que é rica em petróleo. A cidade é disputada e clamada pelo Sudão, cujas tropas se viram obrigadas a captular sob ataque. Kiir disse que as forças militares do EPLS avançaram na região, depois de ocupar Hegling.

Em meio à crescente tensão, o Sudão anunciou que irá mobilizar seu Exército contra o Sudão do Sul e suspenderá negociações sobre temas pendentes depois de o país vizinho ocupar o campo petrolífero vital para a economia sudanesa.

A rica região petrolífera de Heglig, na fronteira entre o Sudão e o Sudão do Sul, contém uma das maiores reservas de petróleo do Sudão e sua soberania é reivindicada pelos dois países.

*Com EFE

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