Ministério da Defesa chinês alerta EUA sobre estratégia militar na Ásia

Ministro adverte EUA a serem mais 'cuidadosos em suas palavras e ações', após anunciarem novo plano de defesa com ênfase na Ásia

iG São Paulo |

O Ministério da Defesa da China advertiu os Estados Unidos nesta segunda-feira a serem "mais cuidadosos em suas palavras e ações", depois de anunciarem um novo plano da defesa que enfatiza responder à ascensão chinesa com o apoio de alianças e bases norte-americanas em toda a Ásia.

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A declaração do porta-voz do ministério, Geng Yansheng, foi a reação mais contundente de Pequim até agora à nova estratégia norte-americana, revelada na semana passada. Ela traz a mistura de cautela e contenção que marcou a resposta chinesa aos esforços do governo Obama na Ásia desde o ano passado.

"Percebemos que os Estados Unidos divulgaram esse guia para sua estratégia de defesa, e vamos observar de perto o impacto que o ajuste da estratégia militar norte-americana tem na região Ásia-Pacífico e nos desenvolvimentos da segurança mundial", disse Geng em um comunicado divulgado no site do ministério.

"As acusações feitas contra a China pelos EUA nesse documento são totalmente infundadas", disse Geng. "Esperamos que os Estados Unidos fluam com a maré da época, e lidem com a China e os militares chineses de uma maneira racional e objetiva, que sejam cuidadosos em suas palavras e ações e façam o que for benéfico para o desenvolvimento das relações entre os dois países e suas Forças Armadas."

A nova estratégia norte-americana promete aumentar a força na Ásia em uma tentativa de conter a capacidade crescente da China de se contrapor ao poderio dos EUA na região, ao mesmo tempo em que as forças norte-americanas recuam em outros cantos do mundo.

Em uma rara aparição no Pentágono, o presidente americano, Barack Obama, anunciou a nova estratégia que pretende tornar o Exército menor e mais barato para os próximos dez anos, após uma década marcada por conflitos, como a Guerra do Iraque e do Afeganistão .

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Sob essa nova estratégia, os EUA manterão grandes bases no Japão e na Coreia do Sul e enviarão marines, navios da Marinha e porta-aviões ao território norte da Austrália.

O país visa conter tentativas eventuais da China e do Irã de bloquear as capacidades norte-americanas em áreas como o Mar do Sul da China e o Estreito de Ormuz.

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O documento afirma que o crescimento do poder militar da China deve ser acompanhado com maior esclarecimento em suas intenções estratégicas, para evitar fricções na região. Em resposta, a China disse estar comprometida com o desenvolvimento de uma política "defensiva" e comprometida com o desenvolvimento pacífico.

"As intenções estratégicas da China são claras, abertas e transparentes," disse o porta-voz do ministro das Relações Exteriories Liu Weimin. "A modernização da nossa defesa nacional atende os requisitos objetivos de segurança e desenvolvimento e também cumpre um papel ativo em manter a região em paz e estável. Não irá representar nenhuma ameaça a nenhuma nação", disse Liu. "As acusações contra a China nesse documento são infundadas e não confiáveis."

Ele acrescentou que manter a paz, a estabilidade e a prosperidade na região atende aos interesses comuns de todos os países da região Ásia-Pacífico "e espera que os EUA cumpram um papel mais construtivo para esse fim".

A China vem buscando o equilíbrio, expressando sua preocupação com as medidas norte-americanas ao mesmo tempo em que mostra seu desejo de relações estáveis com Washington, principalmente quando os dois lados lidam com políticas internas esse ano, quando o presidente Barack Obama enfrenta uma batalha pela reeleição e o Partido Comunista chinês assiste a uma troca de liderança.

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Apesar das declarações de Liu, ainda há um temor crescente nos EUA e na Ásia sobre os desenvolvimentos militares da China nos últimos anos.

A China vem expandindo seu poderio naval, com submarinos e porta-aviões, e também aumentou suas capacidades de vigilância e de mísseis, ampliando seu alcance ofensivo na região e enervando os vizinhos.

A disputada propriedade de recifes e ilhas ricas em petróleo no Mar do Sul da China, pelos quais navegam anualmente US$ 5 trilhões em comércio, é uma das maiores ameaças à segurança na Ásia.

Com AP e Reuters

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