Envolvido em uma série de escândalos, republicano lamenta pelo povo americano 'a quem foi negado o direito de encontrar soluções'

O pré-candidato republicano Herman Cain anunciou neste sábado, durante discurso em Atlanta, na Georgia, que suspenderá sua campanha para a corrida presidencial dos Estados Unidos. “Eu estou suspendendo minha campanha presidencial por conta das contínuas distrações que machucam a mim e machucam minha família”, afirmou Cain a uma plateia de eleitores.

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Herman Cain realiza discurso em Atlanta, na Geórgia
Reuters
Herman Cain realiza discurso em Atlanta, na Geórgia

O discurso de Cain, casado há 43 anos, aconteceu dias depois de uma empresária ter declarado na mídia que foi amante do empresário por 13 anos . O surgimento de Ginger White veio depois de uma série de alegações de que o pré-candidato teria assediado sexualmente diversas funcionárias quando era presidente da Associação Nacional de Restaurantes, nos anos 1990.

De acordo com o empresário, as “afirmações falsas” que surgiram na mídia colocaram em dúvida sua campanha e magoaram “o povo americano, porque a vocês foi negado o direito de encontrar soluções para os problemas do país”.

Criticando a mídia, ele admitiu ter cometido erros na vida - "quem nunca os cometeu?" - mas que mesmo assim "estava em paz" com Deus, consigo e com sua mulher, que estava no palco ao seu lado durante o discurso.

Cain também garantiu aos seus partidários presentes, que lamentavam em coro sua desistência, que a suspensão não significava que ele estaria deixando a vida política ou que ele seria silenciado. "Aqui estão as boas notícias: eles queriam me silenciar, queriam que eu fosse embora, mas eu não vou embora nem serei silenciado", afirmou.

Durante seu pronunciamento, Cain se descreveu como alguém que não segue os padrões de um candidato à presidência, citou os pais de origem humilde, e disse que provou "não ser necessário ter um diploma de Harvard nem um pedigree político para concorrer à presidência". O empresário criticou duramente a atual classe política, que, segundo ele, "falhou em promover o crescimento econômico do país" e deixou "milhões de pessoas frustradas".

Cain acrescentou que iria apoiar outro candidato, mas não deu nenhuma dica de qual dos republicanos receberá seu apoio. 

Trajetória

Cain, o ex-presidente da Associação Nacional de Restaurantes , nunca ocupou um cargo público, mas sua popularidade cresceu entre os republicanos e ele se tornou um inesperado favorito na corrida há algumas semanas.

O empresário, que, como ele mesmo gosta de dizer, não faz o tipo político, teve forte apoio dos conservadres, principalmente daqueles dentro do Tea Party que são contra o estabelecimento atual dos impostos. Cain passou a ser visto como uma alternativa ao governador Mitt Romney. Sua proposta, o imposto 9-9-9 - imposto de 9% sobre o rendimento, 9% sobre as empresas e 9% sobre as vendas -, se tornou sua principal voz política.

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Mas uma vez sob os holofotes da vida pública, Cain não soube se sair bem quando questionado sobre medidas políticas ou sobre relações intenacionais, e sua capacidade para ser presidente dos EUA foi colocada em dúvida.

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Então, foi revelado, no final de outubro, que a Associação Nacional de Restaurantes fez acordos financeiros com duas mulheres que alegaram terem sido assediadas sexualmente enquanto Cain presidia a organização.

Uma terceira mulher afirmou à agência Associated Press que Cain teria tomado liberdades inapropriadas, mas que ela não teria feito uma reclamação na época. Uma quarta mulher foi além e disse que o empresário de tê-la tocado contra seu consentimento em 1997.  

O principal beneficiário da retirada de Cain é o ex-porta-voz da Câmara dos Deputados  Newt Gingrich, que tem visto seus índices crescerem por todo o país. 

Além de sofrer uma queda constante nas pesquisas, Cain também enfrentava dificuldades para arrecadar fundos para sua campanha por conta dos escândalos. Ele divulgou um email aos seus partidários na sexta-feira pedindo doações, em uma tentativa de se manter na corrida.

Com AP

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