Berlusconi perde votação no Parlamento e fica ameaçado

Premiê italiano não conseguiu aprovar revisão do orçamento de 2010 por um voto; oposição pede sua renúncia

iG São Paulo |

AP
Berlusconi participa de sessão no Parlamento em Roma (15/07)
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, sofreu nesta terça-feira uma importante derrota no Parlamento. A Câmara dos Deputados rejeitou a revisão do orçamento do exercício fiscal passado, o de 2010, que precisava de 291 votos para ser aprovada. Alguns líderes da coalizão de centro-direita disseram que talvez seja preciso convocar um voto de confiança para confirmar que o governo ainda tem uma maioria viável.

A oposição exigiu a renúncia de Berlusconi após o empate em 290 votos. "Não há razão para ver isso como um colapso. Mas acho que o governo precisa estar aberto ao debate e ver se há um consenso político", afirmou Fabrizio Cicchitto, líder da bancada governista na Câmara.

O ministro da Defesa, Ignazio La Russa, disse que o governo deveria convocar um voto de confiança para comprovar sua maioria, e afirmou que a derrota dessa terça foi apenas um "tropeço" decorrente da ausência de alguns deputados. Já Gianfranco Fini, presidente da Câmara, com quem Berlusconi rompeu no ano passado, disse que o resultado da votação foi de uma importância "sem precedentes".

Ela ocorre num momento em que Berlusconi enfrenta o descontentamento de vários ministros com os rumos do governo, a crise econômica e com o desgaste à reputação da Itália por causa de problemas pessoais e judiciais do primeiro-ministro, inclusive por supostamente ter pago para fazer sexo com a marroquina Karima El Mahroug, conhecida como Ruby , que na época seria menor de idade.

Na Itália, se o premiê, que é o chefe do governo, não tem mais a maioria no Parlamento, ele deve informar o presidente, que é o chefe de Estado, para que este convoque novas eleições ou nomeie outro político para o cargo.

Massimo Donadi, líder parlamentar do partido oposicionista, disse que a derrota no Parlamento mostra um governo à deriva. "Esse governo não tem mais programa, não tem coalizão, não tem objetivos senão se garantir no poder", afirmou.

As pressões sobre o premiê conservador, de 75 anos, alimentam especulações de que o governo não irá resistir até o final do seu mandato, em 2013. Berlusconi já sobreviveu a vários votos de confiança no Parlamento, mas há crescentes rumores sobre uma rebelião dentro do seu partido, o PDL.

Com AP e Reuters

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