Macarena Vidal. Washington, 1 dez (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciará hoje o envio de mais de 30 mil soldados adicionais ao Afeganistão, que ficarão mobilizados ao longo de seis meses, um prazo surpreendentemente rápido.
Obama deve explicar hoje sua esperada nova estratégia para a guerra no país asiático em discurso na academia militar de West Point a partir das 20h (23h de Brasília).
Em declarações a várias redes de televisão, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que Obama anunciará um "envio acelerado" de reforços, que irá "muito mais rápido que o previsto no plano original".
A meta, disse Gibbs, é treinar as forças afegãs o mais rapidamente possível para que assumam a segurança de seu país, de modo que as tropas americanas possam sair gradualmente.
"Nosso compromisso não é de duração indefinida", explicou.
Segundo altos funcionários americanos, em seu discurso, Obama deve expor um calendário para a saída das tropas americanas.
Os soldados adicionais começarão a ser mobilizados no sul e no leste do Afeganistão, onde a insurgência talibã se mostrou mais ativa até o momento.
A ideia é destruir a capacidade militar dos talibãs de modo que as forças afegãs possam enfrentá-los sozinhas, disseram as fontes.
Os 30 mil soldados se juntarão aos 68 mil militares americanos que já estão no Afeganistão.
No total, a força internacional posicionada no local conta com cerca de 100 mil efetivos.
O novo contingente será mobilizado em um prazo surpreendentemente rápido, de apenas seis meses, em uma operação que será finalizada em meados do próximo ano.
Até agora, os analistas calculavam que, para um reforço dessa magnitude, seria necessário cerca de um ano, devido ao rigoroso clima afegão e à necessidade de esperar o retorno das tropas atualmente destacadas no Iraque.
Obama deu ordens aos comandantes militares para que acelerem a mobilização dos reforços, de modo que esteja finalizada em meados do próximo ano, disseram os altos funcionários, que não explicaram como se conseguirá essa meta.
Além de seus próprios reforços, o Governo americano espera que os aliados internacionais ofereçam cerca de 5 mil soldados a mais para chegar ao número desejado pelo comandante da força internacional no Afeganistão, o general Stanley McChrystal, que tinha pedido cerca de 40 mil militares a mais.
Obama conversou entre segunda e hoje com diversos líderes internacionais, para explicar as linhas mestras de sua estratégia.
Entre eles, esteve o presidente afegão, Hamid Karzai, com quem Obama falou por quase uma hora sobre as implicações da nova estratégia.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, um dos líderes com os quais o presidente americano conversou na segunda-feira, anunciou o envio de mais 500 soldados ao Afeganistão, o que aumentará o contingente de seu país para cerca de 10 mil militares.
O presidente americano se reunirá hoje, antes de partir para West Point, com um grupo de congressistas, entre eles a presidente da Câmara de Representantes (baixa), Nancy Pelosi, e o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, aos quais informará detalhadamente sobre sua nova estratégia.
O anúncio do presidente ocorre no momento em que a guerra no Afeganistão é cada vez mais impopular entre a população americana e o próprio Congresso, devido a seu forte custo econômico e em vidas humanas.
Após o anúncio do presidente americano, McChrystal e o embaixador dos EUA em Cabul, Karl Eikenberry, devem comparecer em audiências no Congresso sobre a situação no Afeganistão. EFE mv/an
