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Obama e Hu reforçam cooperação, mas diferenças persistem

17/11 - 06:56 , atualizada às 12:32 17/11 - Redação

PEQUIM - Os presidentes americano, Barack Obama, e chinês, Hu Jintao, se encontraram nesta terça-feira em Pequim para a primeira reunião bilateral, que marcou o início das discussões políticas do presidente americano na China, após uma rápida passagem por Xangai. Temas como o clima, comércio, a cotação do yuan e a pressão sobre os programas nucleares iraniano e norte-coreano foram tratados no encontro.

 

Uma cerimônia de recepção aconteceu no Palácio do Povo, na praça da Paz Celestial, no coração de Pequim, onde foram ouvidos os hinos das duas potências mundiais.


Barack Obama foi recebido por Hu Jintao em Pequim / Reuters

"Esta é sua primeira visita, permita-me dar uma recepção quente na China", declarou Jintao em um dia com temperatura abaixo de zero na capital do país. "O senhor tem trabalhado muito em prol das relações China-EUA", completou.

Já Obama, acompanhado pela secretária de Estado, Hillary Clinton, reiterou a vontade de cooperar com Pequim. "Pensamos que um diálogo forte é importante não apenas para os Estados Unidos, como também para o resto do mundo", declarou no início da reunião, antes da imprensa ser convidada a deixar o local.

Clima

No único tema de aparente concordância total, Estados Unidos e China afirmaram desejar que a conferência internacional sobre o clima, que acontecerá no próximo mês em Copenhague, resulte em um acordo com "efeito imediato".

Depois de destacar progressos na questão nas conversações com o presidente Jintao, Barack Obama declarou: "Sem os esforços da China e dos Estados Unidos, os maiores consumidores e produtores de energia, não pode haver soluções".

"Concordamos em trabalhar juntos para alcançar um êxito em Copenhague", completou Obama. "Nosso objetivo não é um acordo parcial, nem uma declaração política, e sim um acordo que cubra todas as questões nas negociações e que tenha um efeito imediato", disse Obama.

China e Estados Unidos são os dois maiores poluentes do planeta e muitos países esperam iniciativas das duas grandes potências econômicas na Conferência sobre o Clima, prevista de 7 a 18 de dezembro para a capital da Dinamarca.

Em um comunicado conjunto, os dois países reiteram que um acordo em Copenhague deverá estar "baseado no princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas", com metas de redução de emissões por parte dos países desenvolvidos e ações nacionais apropriadas de atenuação por parte dos países em desenvolvimento".


Obama e Hu Jintao têm encontro bilateral em Pequim / Reuters

Economia

Na economia, o presidente chinês declarou que os dois países devem rejeitar o protecionismo e fazer todo o possível para resolver as divergências comerciais.

"Nossos dois países devem opor-se ao protecionismo e rejeitá-lo", declarou Jintao, que também destacou o fato de Pequim e Washington terem reiterado a vontade de trabalhar juntos para "resolver de forma apropriada as divergências econômicas e comerciais".

O porta-voz do ministério chinês do Comércio denunciou na segunda-feira um protecionismo crescente nos Estados Unidos, acusação rebatida pelo secretário de Comércio americano, Gary Locke.

Irã nuclear

Na questão nuclear, Washington e Pequim advertiram que o Irã deverá assumir as consequências de um bloqueio na negociações sobre seu programa nuclear.

"Concordamos que a República Islâmica do Irã deve dar garantias à comunidade internacional de que seu programa nuclear é pacífico e transparente", declarou Obama. "Nesta questão, nosso dois países e o restante do grupo 5+1 (EUA, China, Rússia, França, Grã-Bretanha e Alemanha) estão unidos".

"O Irã tem a oportunidade de apresentar e demonstrar que suas intenções são pacíficas, mas se não aproveitar esta oportunidade, haverá consequências", advertiu Obama.

A China sempre se mostrou reticente a respeito de sanções contra o Irã e prioriza a diplomacia.

No entanto, um comunicado conjunto divulgado nesta terça-feira destaca a preocupação de Pequim e Washington com os últimos acontecimentos relacionados ao programa nuclear iraniano.

Coreia do Norte

Ao mesmo tempo, os dois países reiteraram o compromisso com uma desnuclearização da península coreana e o apoio ao reinício das negociações multilaterais, abandonadas em abril por Pyongyang.

A Coreia do Norte deixou a mesa de negociações para a suspensão de seu programa nuclear entre seis países (EUA, as duas Coreias, China, Rússia e Japão), mas no início de outubro se declarou disposta a retomar as conversações, com a condição de ter um diálogo bilateral prévio com os Estados Unidos.

Dalai Lama

Em mais um assunto delicado, Obama, afirmou a Jintao que é favorável a uma rápida retomada das discussões entre Pequim e representantes do Dalai Lama, líder espiritual dos tibetanos, informou uma alta fonte da delegação dos Estados Unidos que visita a China.

"Destacamos que os Estados Unidos reconhecem que o Tibete faz parte da República Popular da China e apoia uma rápida retomada do diálogo entre representantes do Dalai Lama e Pequim", declarou Obama, segundo a fonte.

O Dalai Lama é considerado um perigoso separatista por Pequim, acusação rejeitada pelo Prêmio Nobel da Paz, que reivindica uma ampla autonomia para a região do sudoeste da China.


Bandeira dos EUA é vista na Praça da Paz Celestial durante visita de Obama / Reuters

Giro pela Ásia

A viagem de Obama a China é considerada o ponto chave da visita de uma semana a Ásia, que já o levou a Tóquio e Cingapura. Depois de Xangai e Pequim, ele visitará a Coreia do Sul.

* Com EFE e AFP

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