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Morre o Nobel Vitaly Ginzburg, mentor da bomba-H soviética

09/11 - 10:47 - Reuters

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MOSCOU - O físico russo Vitaly Ginzburg, que sobreviveu aos expurgos stalinistas por trabalhar no projeto soviético de bombas atômicas, e posteriormente ganhou o Nobel de Física, morreu na noite de domingo em Moscou, aos 93 anos, após uma prolongada doença.

Ginzburg recebeu o Nobel em 2003 por desenvolver a teoria por trás dos supercondutores, materiais que permitem a passagem de eletricidade sem resistência, a baixíssimas temperaturas. Ele dividiu o prêmio com o anglo-americano Anthony Leggett e com o norte-americano de origem russa Alexei Abrikosov.

Mas a carreira de Ginzburg quase acabou quando ele se casou com uma mulher que foi presa em 1944 e sentenciada a três anos de trabalhos forçados por supostamente tramar um atentado contra o ex-dirigente soviético Josef Stálin.

"Mal posso imaginar que destino me aguardava nessa situação nesse momento", escreveu Ginzburg em um artigo autobiográfico para o comitê Nobel. "Acho que teria me custado caro, mas fui salvo pela bomba de hidrogênio.'

Ginzburg escreveu que colaborou com o cientista Andrei Sakharov -- mais tarde um famoso dissidente -- no projeto da bomba de hidrogênio soviética, e que ambos desenvolveram as duas ideias básicas que viabilizariam a empreitada.

Mas, em 1951, Ginzburg foi afastado do projeto devido a medidas antissemitas do governo stalinista, quando os judeus foram responsabilizados pelos problemas da União Soviética e enviados para campos de trabalhos forçados.

"Foi uma tremenda sorte que o Grande Líder não tenha tido tempo suficiente para realizar o que planejara e que tenha morrido, ou sido morto, em 5 de março de 1953", escreveu Ginzburg no artigo.

O cientista revelou que, desde então, ele e sua segunda esposa, Nina Yermakova, celebravam o aniversário da morte de Stálin como "um grande festival".

Ginzburg permaneceu ativo na vida pública após o fim da URSS, assinando cartas e dando entrevistas em que criticava a indiferença do governo em relação à ciência fundamental na Rússia contemporânea. Ele atacava o crescente vínculo do Kremlin com a Igreja Ortodoxa e conclamava o Ocidente a impedir que o então presidente Vladimir Putin devolvesse o país a um "passado totalitário."

"Esperamos que os governos dos países democráticos façam tudo o que puderem para impedir a Rússia de deslizar para o passado totalitário e para o estabelecimento de um regime ditatorial perigoso para a Rússia e para toda a sociedade internacional", disse uma conclamação assinada por ele em novembro de 2005.

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