Jerusalém, 9 nov (EFE).- Dois acadêmicos que participaram da elaboração do código de ética do Exército israelense pediram que este país investigue algumas das acusações contidas no relatório Goldstone sobre o conflito na Faixa de Gaza em dezembro do ano passado e janeiro.
Apesar de os autores, Moshé Halbertal e Avi Sagi, terem expressado duras críticas em relação ao relatório, acham que não resta outra alternativa do que investigar algumas conclusões específicas contidas no estudo, informa hoje o jornal "Ha'aretz".
Halbertal e Sagi participaram, em 1992, da redação do código de conduta militar do Exército israelense.
Recentemente, os dois escreveram em diferentes publicações artigos nos quais pedem que Israel analise algumas recriminações contidas no relatório Goldstone.
O documento, elaborado pelo jurista sul-africano Richard Goldstone e referendado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, acusa Israel e as milícias palestinas em Gaza - território controlado pelo movimento islâmico Hamas - de crimes de guerra durante as três semanas da ofensiva militar israelense que causou a morte de cerca de 1,4 mil palestinos e 13 israelenses.
O relatório recomenda que Israel e Hamas realizem investigações independentes e fidedignas sobre o ocorrido no prazo de seis meses, Caso contrário, a ofensiva em Gaza poderia ser levada ao Tribunal Penal Internacional Apesar de Halbertal afirmar que o relatório tem por objetivo "preparar uma acusação geral que apresente Israel como um Estado depredador que viola os direitos humanos o tempo todo", adverte que o Estado judeu deveria responder mostrando as condutas que guiaram o Exército na ofensiva a Gaza.
Israel, acrescenta, deveria fazer uma investigação que restabeleça as percepções sobre a legitimidade a seu direito de se defender.
Entre as afirmações do relatório que acha que merecem uma resposta, estão o caso em que tropas israelenses atiraram contra uma palestina e a filha dela, ambas com bandeiras brancas, a destruição de casas nos últimos dias do conflito e o dano a infraestruturas civis, como instalações elétricas e de água.
Sagi afirma que o código de ética do Exército israelense fixa um alto marco de conduta de suas tropas, o que requer que os soldados façam tudo o possível a fim de evitar prejudicar civis não armados.
EFE db/an
