Nova Délhi, 6 nov (EFE).- A União Europeia (UE) e a Índia fecharam acordo hoje para impulsionar as negociações iniciadas em 2007 para a assinatura de um acordo de comércio e investimentos e firmaram compromissos genéricos de luta contra o terrorismo e a mudança climática.
Em declaração conjunta, as partes se comprometeram a concluir "o mais rapidamente possível" o acordo de livre-comércio esperado para 2008, mas que foi atrasado por divergências sobre propriedade intelectual, assim como pela insistência da UE em condicioná-lo a assuntos como o trabalho infantil e a mudança climática.
Na entrevista coletiva posterior à cúpula, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, disse confiar em poder completar as negociações em um ano.
Singh se mostrou satisfeito com o fato de que o comércio bilateral da Índia com a UE dobrou nos últimos cinco anos, chegando a US$ 118 bilhões.
O único resultado concreto da cúpula foi a assinatura de um acordo de pesquisa no setor de energia nuclear por parte da comissária de Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Waldner, e o presidente da Comissão da Energia Atômica da Índia, Anil Kakodkar.
A delegação da UE, composta também pelo presidente rotativo do bloco e primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, tinha entre seus objetivos explicar à Índia a postura comunitária para a cúpula sobre mudança climática de dezembro em Copenhague.
A proposta da UE assume o custo que a luta contra a mudança climática terá para países em desenvolvimento como a Índia, calculado em 100 bilhões de euros anuais em 2020, e a necessidade de financiamento internacional.
O financiamento, segundo a UE, deveria ser assumido em boa medida (entre 22 bilhões e 50 bilhões de euros) pelos países mais desenvolvidos "em função de suas emissões e sua capacidade de desembolso".
"Faremos nossa parte, mas não podemos lutar sozinhos. A mudança climática é global", disse Reinfeldt em entrevista coletiva.
Singh mencionou apenas o "enfoque multilateral" necessário para enfrentar a mudança climática, assim como outros problemas mundiais como a crise financeira e a não-proliferação nuclear.
Na declaração conjunta, as duas partes assumiram que o objetivo de lutar contra o aquecimento do planeta "deveria levar em conta a prioridade da erradicação da pobreza e o desenvolvimento" em nações como a Índia.
Segundo dados da UE, a Índia é seu décimo parceiro comercial e o terceiro país com mais projetos comunitários de pesquisa e desenvolvimento. EFE mb-ja/bba
