O tiroteio que na quinta-feira matou 13 pessoas na maior base militar dos Estados Unidos é mais um golpe num Exército cobrado ao máximo no Iraque e no Afeganistão e confrontado com um alto índice de suicídios por depressão.
O caso parece uma ironia do destino: o homem que, antes de ser ferido, matou 13 colegas e feriu outros 31 era um psiquiatra do Exército, o comandante Nidal Malik Hassan, que estava prestes a ser enviado para o Iraque.
Esta matança - na qual morreram mais militares do que os americanos mortos em outubro no Iraque - terá forte repercussão no moral de um exército já abalado por duros combates e as prolongadas missões de doze meses consecutivos no Iraque e no Afeganistão.
As prolongadas campanhas militares são consideradas a causa do aumento dos suicídios no exército americano.
No ano passado, 128 soldados tiraram a própria vida, em 2007 a cifra foi de 115 e este ano o número pode ser ainda maior.
Ante as alarmantes estatísticas, o Pentágono colocou em andamento programas de prevenção, acentuou os esforços para detectar problemas psicológicos como a síndrome pós-traumática, e os traumatismos cerebrais causados pelas explosões ou confrontos.
"Quero romper com o tabu em torno dessa lesões. São tão lesivas quanto uma perna ou um braço quebrados. Não são falsos problemas levantados por soldados fracos", afirmou, em outubro, o número dois do Exército americano, general Peter Chiarelli.
Entre os soldados envolvidos em incidentes no Iraque ou Afeganistão, a média dos que sofrem com a síndrome pós-traumática passou de 38 a 52% desde agosto de 2008.
Segundo o general Chiarelli, cerca de um terço dos soldados enviados al front sofrerão de uma forma ou outra esta síndrome.
O problema já começa a ser levado a sério. No hospital militar Walter Reed, em Washington, a atenção psicológica faz parte dos cuidados que recebem os feridos que voltam das zonas de combate.
O pessoal médico também oferece apoio às famílias dos ex-combatentes, abaladas pela longa ausência dos militares e dos traumatismos que com que eles voltam para casa.
"Está claro que quanto mais rápido for o tratamento que a pessoa recebe, mais são as probabilidades de êxito. Há uma verdadeira urgência em enfrentar o problema", comentou o chefe do Estado-Maior dos Estados Unidos, Michael Mullen, falando à imprensa.
O chefe militar reconhece, no entanto, que os soldados - imersos numa estrutura que valoriza os combatentes mais ferozes - são reticentes a pedir ajuda.
"Devemos continuar quebrando esse tabu. Porque é difícil (para os soldados) pedir ajuda, e geralmente isso se volta contra eles", destacou.
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