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Zelaya insiste em voltar ao poder antes da formação do novo Governo

05/11 - 22:57 - EFE

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Pablo Pérez. Tegucigalpa, 5 nov (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, reiterou hoje, a poucas horas de terminar o prazo estabelecido para a instalação de um Governo de unidade nacional, que antes deve ser restituído para poder chefiá-lo.

Arturo Corrales, representante do presidente Roberto Micheletti na Comissão de Verificação do Acordo Tegucigalpa-San José, afirmou hoje já ter recebido "uma lista formal de 24 nomes" para o Gabinete propostos por ele, os partidos políticos e algumas organizações civis partidárias.

No entanto, após uma reunião da comissão com o líder deposto na embaixada brasileira, onde está desde 21 de setembro, o verificador de Zelaya, Jorge Reina, assegurou que as propostas dele já estão prontas, mas que é necessário primeiro reunir o Congresso.

O acordo assinado na semana passada estabelece que o Legislativo deve resolver sobre a restituição de Zelaya, mas não fixa explicitamente nenhum prazo para isso, embora o líder deposto considere que deve ser antes da instalação do Governo de unidade.

Já Micheletti assegura que se não houver uma decisão do Congresso, ele deve estar à frente desse Gabinete.

O presidente do Parlamento, José Alfredo Saavedra, pró-Micheletti, evitou em entrevista à TV local antecipar quando o plenário do Legislativo poderia ser convocado, depois que na terça-feira decidiu solicitar a opinião da Suprema Corte de Justiça e de outras instâncias.

Diante dessa situação, Jorge Reina, representante do líder deposto, deixou aberta a porta a uma extensão do prazo. "Todas as coisas que estão pactuadas, se hoje não se podem fazer, (...) se habilitam amanhã ou qualquer coisa", disse.

Reina também insistiu que se não houver restituição, se estará perpetuando o golpe de Estado que tirou Zelaya do poder em 28 de junho.

A Comissão de Verificação é integrada, além de Reina e Currales, pelo ex-presidente do Chile Ricardo Lagos e a ministra de Trabalho dos Estados Unidos, Hilda Solís, ambos nomeados pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

Solís e Lagos saíram de Honduras na quarta-feira após uma breve visita e deixaram em seu lugar dois representantes do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza: José Octavio Bordón e Enrique Correa.

Cerca de 500 seguidores da Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado, que exige a restituição de Zelaya no poder, voltaram a se manifestar perante o Congresso e acusaram EUA e OEA de serem "cúmplices" do golpe.

"Responsabilizamos a OEA e os EUA de serem cúmplices neste golpe de Estado que, após 131 dias, não fizeram nada para resolvê-lo", disse à Agência Efe um dos coordenadores da frente de resistência, Juan Barahona.

Os manifestantes também exigiram que o Congresso se reúna para decidir sobre a restituição do líder derrubado, tal como é pedido no Acordo Tegucigalpa-San José, assinado na sexta-feira passada entre Zelaya e Micheletti.

"Fora, Micheletti!", gritaram os manifestantes, mais pessimistas que nos dias anteriores, nos quais consideraram que o pacto implicava a volta imediata ao poder de Zelaya.

Enquanto o movimento de resistência protestava perante o Congresso, a cerca de 300 metros uma bomba caseira explodiu em um banheiro público em pleno centro de Tegucigalpa.

A bomba se soma a uma granada de fragmentação que explodiu ontem à noite na "Emisoras Unidas", um dos meios de comunicação mais importantes do país. EFE pa/rr




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