Macarena Vidal. Washington, 3 nov (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, disse hoje em discurso no Congresso dos Estados Unidos que uma bomba nuclear em mãos iranianas é "algo inaceitável" e pediu colaboração no campo da mudança climática.
Merkel discursou hoje durante meia hora diante das duas câmaras do Congresso americano, uma honra concedida a poucos líderes estrangeiros. Ela recebeu o convite da presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, pela ocasião do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, lembrado na semana que vem.
Em sua fala, Merkel afirmou que "uma bomba nuclear nas mãos de um presidente iraniano que nega a existência do Holocausto, que ameaça Israel e nega o direito desse país de existir é algo inaceitável".
O discurso da chanceler alemã ocorre num momento em que as potências internacionais buscam chegar a um acordo com o Irã pelo qual Teerã entregaria à Rússia o urânio pouco enriquecido de sua usina de Natanz, para que os russos o refinem até chegar que possa ser usado para fins médicos.
Depois que as autoridades iranianas demonstraram na semana passada sua disposição em aceitar o acordo, o líder espiritual da República Islâmica, Ali Khamenei, assegurou hoje que o Irã "não quer negociação alguma na qual o resultado seja ditado com antecedência pelos Estados Unidos".
Em seu discurso de hoje, o primeiro de um líder alemão no Congresso americano em 52 anos, Merkel pediu aos legisladores dos EUA para que cooperem na luta contra a mudança climática.
"Não temos tempo a perder. Precisamos de um acordo em Copenhague", disse, em referência à cúpula da ONU sobre mudança climática, que acontece no mês que vem na capital da Dinamarca.
"Em dezembro, o mundo terá os olhos postos nos EUA e na Europa. É verdade que não pode haver um acordo sem Índia ou China, mas estou convencida de que, uma vez que nós cheguemos a um acordo vinculativo, poderemos convencer esses países a se juntarem", destacou a chanceler.
Embora o presidente dos EUA, Barack Obama, seja um firme defensor da luta contra o aquecimento global, dificilmente o Congresso americano discutirá até o final de 2009 uma legislação que permita combater a mudança climática.
Merkel, que discursou em alemão durante a maior parte do tempo, expressou também o apoio de seu país a uma estratégia no Afeganistão dedicada à capacitação local em termos de segurança.
"Continuaremos percorrendo este caminho juntos. A Alemanha está disposta a enfrentar suas responsabilidades", sustentou a chanceler alemã, aplaudida pelos legisladores.
A parte mais emotiva do discurso de Merkel, oriunda da antiga Alemanha Oriental, se deu quando agradeceu o apoio americano à reunificação de seu país.
A chanceler descreveu sua vida como uma menina criada na Alemanha Oriental, filha de um pastor protestante e de uma professora, e disse que "nunca, em meus melhores sonhos, pensei que este dia chegaria".
"Não me passava pela cabeça pensar em viajar para os Estados Unidos, muito menos comparecer diante dos senhores algum dia", declarou.
Antes de seu discurso no Congresso, Merkel se reuniu na Casa Branca por meia hora com Obama, que ressaltou a "extraordinária liderança" da chanceler.
Os dois governantes falaram sobre o Irã e o Afeganistão, justamente em um momento no qual Obama tenta decidir sobre uma nova estratégia para a guerra no país asiático e se envia mais tropas.
Neste sentido, o presidente americano agradeceu "os sacrifícios dos soldados alemães no Afeganistão e nosso trabalho comum para trazer a paz e a estabilidade" ao país. EFE mv/bba
