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03/11 -
18:04
, atualizada às 19:36 03/11 -
Redação
TEGUCIGALPA - Os líderes do Congresso de Honduras decidiram, nesta terça-feira, pedir a opinião da Suprema Corte sobre a possibilidade de restituir o presidente deposto Manuel Zelaya, adiando a convocação de uma sessão chave para debater o futuro do líder. A decisão, informada à Reuters por dois parlamentares, desafia o acordo fechado na semana passada entre os negociadores de Zelaya e do governo de facto, sob a mediação de Washington, cujo ponto central é que o Congresso decida sobre a volta ao poder do mandatário deposto.
| Reuters |
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Líder deposto Manuel Zelaya recebe presidente da |
"A junta diretora do Congresso Nacional decidiu que a Procuradoria, a Promotoria e a Suprema Corte de Justiça darão sua opinião em caráter urgente, mas sem um prazo", explicou o presidente alterno do Congresso, Erick Rodríguez, favorável ao retorno de Zelaya.
O órgão diretivo do Parlamento se reuniu nesta terça-feira, quatro dias após ter recebido das comissões do governante derrubado e do presidente de fato, Roberto Micheletti, o Acordo Tegucigalpa-San José, segundo o qual o Congresso decidirá sobre o retorno de Zelaya ao poder.
Após mais de duas horas de reunião e em meio a um grande sigilo - a imprensa estrangeira foi inclusive proibida de entrar na sede do Legislativo -, os aliados de Zelaya na junta informaram sobre a resolução adotada.
Data limite
Rodríguez, Argentina Valle e Carolina Echeverría, dissidentes do Partido Liberal (ao qual pertencem tanto Zelaya como Micheletti), assim como o grupo parlamentar do partido minoritário de esquerda Unificação Democrática consideraram esta decisão como uma "manobra dilatória" das autoridades golpistas.
Os três liberais da junta diretora explicaram que seus colegas não aceitaram seu argumento de que não havia necessidade de consultar a Suprema Corte e que o plenário do Congresso deveria ser convocado imediatamente.
Segundo o trio, também foi rejeitada uma solicitação para impor um prazo de um ou dois dias para receber uma resposta desse órgão.
"Quando não se consegue um prazo de entre 24 e 48 horas para ter uma resposta, é uma manobra dilatória", afirmou Rodríguez.
Zelaya considera que, segundo o Acordo de Tegucigalpa-San José, o Congresso deve decidir sobre sua restituição antes de quinta-feira, data limite para a formação de um governo de unidade. O presidente deposto afirma que se não for restituído ao poder até o dia previsto, a comunidade internacional não reconheceria as eleições gerais convocadas para 29 de novembro.
A Suprema Corte, cuja opinião não está vinculada à do Congresso segundo o acordo, declarou anteriormente que o golpe de Estado que destituiu Zelaya no fim de junho foi legal devido ao fato de o mandatário ter violado a Constituição ao querer forçar a reeleição presidencial.
Manifestações
A decisão da direção do Congresso incomodou a comissão de verificação da Organização dos Estados Americanos (OEA), que chegou a Tegucigalpa pouco antes da votação com a esperança da rápida aplicação de um acordo.
Além disso, enfureceu centenas de simpatizantes de Manuel Zelaya, chamado por seus partidários de "Mel", que ameaçaram fazem uma manifestação em frente ao Congresso para pressionar por sua restituição.
A comissão da OEA é liderada pelo ex-presidente chileno Ricardo Lagos, que mais cedo nesta terça-feira disse a uma rádio de seu país que acredita que o caminho para sair da crise é "restabelecer o presidente Zelaya pelo escasso tempo que lhe resta na presidência".
| Reuters |
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Partidários de Manuel Zelaya protestam em frente ao Congresso Nacional |
Mas admitiu que o Congresso levará seu tempo. "Não acredito que (a votação) seja hoje (terça-feira). O ideal para mim seria que o fizessem já".
Nos arredores do Congresso, enfurecidos simpatizantes de Zelaya gritavam "Mel, aguente, que o povo se manifesta", com os braços para cima.
Muitos juraram manter a vigília até que o líder volte ao poder. Zelaya permanece abrigado na embaixada brasileira há quase um mês e meio depois de voltar clandestinamente ao país. O edifício está cercado por tropas de choque com escudos e bombas de gás lacrimogêneo.
A deposição de Zelaya provocou a pior crise política na América Central em décadas e se converteu no primeiro desafio diplomático na região para a administração do presidente norte-americano, Barack Obama.
*(Com EFE e Reuters)
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