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Relator da ONU detido no Zimbábue é expulso do país

29/10 - 09:32 - EFE

EFE - v1

Harare, 29 out (EFE).- O relator especial das Nações Unidas sobre a Tortura, Manfred Nowak, detido ontem no aeroporto da capital do Zimbábue, foi expulso hoje do país e enviado a Johanesburgo, informaram fontes do Movimento para a Mudança Democrática (MDC).

Um assessor do primeiro-ministro zimbabuano, Morgan Tsvangirai, que falou à EFE em anonimato, disse que "é provável que Nowak tenha embarcado num voo para Johanesburgo na manhã de hoje".

Nowak foi detido ontem ao tentar visitar o Zimbábue para analisar, durante uma viagem de oito dias, a situação dos Direitos Humanos no país depois que várias ONGs denunciassem torturas contra ativistas por parte das forças da ordem, controladas pelo partido do presidente, Robert Mugabe.

O oficial da ONU tinha sido convidado pelo Governo do Zimbábue a visitar o país até 4 de novembro, mas, no último minuto, quando já estava em Johanesburgo em trânsito, rumo a Harare, lhe solicitaram que não viajasse ao país, segundo comunicado da ONU divulgado em Genebra.

As autoridades zimbabuanas argumentaram que não podiam receber ao relator nas datas propostas devido ao processo de consultas entre o Governo de união nacional (que sofre uma grave crise) e a Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional (SADC).

No entanto, ontem o primeiro-ministro do Zimbábue e líder do MDC, Morgan Tsvangirai, estendeu um convite pessoal ao relator especial da ONU, que seguiu viagem e chegou ontem à noite ao país, mas os funcionários de imigração não lhe permitiram a entrada.

A detenção de Nowak supõe um duro golpe às tensas relações entre os partidos que formam o Executivo, MDC e União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), que assinaram um acordo para instaurar um Governo de unidade no mês passado de fevereiro.

Há duas semanas, Tsvangirai anunciou o boicote por parte de seus ministros a todas as reuniões oficiais em protesto pela detenção do tesoureiro do MDC, Roy Bennett, e pelo "descumprimento sistemático" por parte da Zanu-PF do acordo que levou à formação do gabinete conjunto.

A Anistia Internacional (AI) advertiu ontem em comunicado que o Zimbábue "está a ponto de voltar à violência pós-eleitoral do ano passado, pondo em cheque a estabilidade que trouxe o Governo de unidade ao país". EFE rt/fk




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