Luis Lidón. Viena, 21 out (EFE).- Com uma proposta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) - que precisa ser ratificada até sexta-feira por Irã, Rússia, Estados Unidos e França - e muitas dúvidas, concluiu hoje a negociação, em Viena, sobre o enriquecimento do urânio iraniano no exterior.
"Fiz circular a minuta de um acordo que tem uma aproximação equilibrada sobre como avançar neste assunto. Está em poder das partes para que, espero, deem uma resposta afirmativa para sexta-feira. Em dois dias", disse o diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei.
A minuta, que inclui que 80% das reservas de urânio pouco enriquecido do Irã sejam enviadas para ser processadas no exterior, é considerada uma forma de "abrir um espaço para a negociação", segundo o principal responsável da AIEA.
"Houve um enorme quantidade de temas técnicos, legais e políticos. Questões de confiança e de credibilidade, que fez com que levássemos tempo e é a razão pela qual enviamos o acordo às capitais para aprovação", explicou.
A própria incerteza sobre se o acordo acabará sendo aceito foi expressada por ElBaradei, que disse: "cruzo os dedos para que tenhamos o sinal verde de todas as partes envolvidas na sexta-feira".
Após dois dias e meio de negociações, que ontem ficaram estagnadas devido à recusa do Irã de aceitar a França como interlocutora nuclear direta, ao alegar que não era um parceiro "confiável", só a intervenção de ElBaradei permitiu "desentravar" a reunião com um compromisso.
Para vencer as suspeitas do Irã, chegou-se à solução de Teerã definiria com Moscou o envio de seu urânio, e a Rússia terceirizaria parte de seus trabalhos de conversão em combustível a Paris. Assim, o Irã não teria que tratar diretamente com a França.
No entanto, existem dúvidas sobre se Teerã aceitará, no fim, aprovar a proposta da AIEA.
O chefe da delegação iraniana, Ali Asghar Soltaniyeh, se mostrou satisfeito com as conversas, mas não quis responder às perguntas sobre se Teerã aprovará o acordo.
"Vamos estudar em detalhes o texto e haverá uma reelaboração nas capitais", disse o também embaixador iraniano na AIEA.
"Terão uma resposta na sexta-feira", respondeu, ao ser perguntado se o Irã aceita enviar parte de suas reservas de material nuclear ao exterior.
As potências pretendem tirar do Irã 1,2 tonelada de urânio pouco enriquecido, grande parte da 1,5 tonelada que produziu contra as exigências internacionais, o que aplacaria as suspeitas de que pretende purificar essa substância até conseguir uma arma nuclear.
Isso reduziria drasticamente suas reservas de urânio, já que, para produzir uma bomba atômica, são necessárias cerca de 2 toneladas desse material enriquecido a 90%.
Uma fonte ocidental próxima à reunião disse à Agência Efe que tinha muitas dúvidas de que o Irã aceitasse enviar a maior parte de seu urânio enriquecido ao exterior, a principal "carta na manga" para conseguir concessões de mais peso em negociações políticas.
Antes da reunião, outras fontes tinham advertido sobre a lentidão na tomada de decisões, devido ao baixo nível das delegações, especialmente a iraniana, o que levaria à necessidade de pedir a autorização final às capitais, como acabou acontecendo.
"O acordo pode suprir a falta de compromisso ou de negociação direta sobre o enriquecimento de urânio", disse outra fonte à Efe, já que permite a possibilidade de que os iranianos continuem reiterando seu direito de purificar urânio e que Ocidente consiga a segurança de ter certeza que o material não será desviado para fins militares.
"O tema não é que o façam ou o deixem de fazer. Já que parece difícil que parem de enriquecer, que seja de forma controlada e vigiada", acrescentou a fonte.
O urânio que se pretendia extrair do Irã seria reprocessado na Rússia e na França, e seria devolvido a Teerã como combustível nuclear para alimentar um reator médico que permite o diagnóstico e o tratamento do câncer.
O Irã advertiu, pouco antes do começo da negociação, que, caso esta fracasse, enriquecerá por conta própria o urânio até 20% de pureza, o nível necessário para o reator médico. EFE Ll/an
