Por Sharon Lindores LONDRES (Reuters) - A ajuda alimentar está no nível mais baixo dos últimos 20 anos, apesar de o número de pessoas que passam fome crítica ter chegado este ano ao nível mais alto de todos os tempos, disse nesta quarta-feira a diretora da agência de ajuda emergencial das Nações Unidas.
Josette Sheeran, diretora-executiva do Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU, disse que a organização enfrenta o maior desafio de sua história.
"O problema da crise alimentar e da crise financeira é que elas se disseminaram pelo mundo em silêncio, com o bilhão mais pobre dos habitantes do mundo sendo seletivamente mais atingido", disse Sheeran à Reuters em entrevista.
O número de pessoas que passam fome passou de 1 bilhão este ano pela primeira vez, disse ela, acrescentando que o PAM mal tem um terço das verbas de que precisaria para alimentar 108 milhões de pessoas este ano.
Até agora o PAM recebeu 2,6 bilhões de dólares de financiamento para cobrir seu orçamento de 6,7 bilhões de dólares para 2009.
De acordo com Sheeran, para solucionar a crise da fome seria preciso menos de 0,01 por cento do pacote de socorro da crise financeira global.
Sheeran pretende levar sua mensagem sobre a necessidade urgente de financiamento à reunião do G20 marcada para Pittsburgh em 24 e 25 de setembro e à Assembleia Geral da ONU.
"Gostaríamos de ver uma visão ousada", disse ela, acrescentando que a crise da fome pode ser resolvida. Mesmo no ano passado o mundo produziu alimentos em quantidade suficiente para alimentar a todos. O problema é fazer os alimentos chegarem aos que necessitam deles.
"Precisamos que seja assumido o compromisso de atender às necessidades emergenciais dos próximos dois anos", disse Sheeran, acrescentando que o PAM prevê que precisará de outros 6,7 bilhões de dólares no próximo ano para fazer frente à crise.
AJUDA REDUZIDA
O PAM ajuda a alimentar as pessoas vistas como estando em situação mais desesperadora, que formam 10 por cento do total de necessitados. No melhor cenário possível para este ano a organização atenderá a 8,5 por cento dos necessitados, disse Sheeran.
O PAM teve de reduzir os alimentos entregues à algumas das populações mais subnutridas do mundo, disse ela, observando que uma em cada seis pessoas no mundo passa fome.
Todos os recursos do PAM vêm de donativos. A organização não tem financiamento mínimo. Sheeran disse que EUA, Canadá, Austrália, Reino Unido e Europa têm sido os doadores principais.
"O que precisamos realmente é que eles continuem assim", disse ela.
O Reino Unido já destinou 70 milhões de dólares ao PAM este ano, ante 169 milhões em 2008, disse um representante do Departamento de Desenvolvimento Internacional.
No ano passado o PAM recebeu 5 bilhões de dólares em recursos voluntários.
