05/07/2009 -
17:29
, atualizada às 17:36 05/07 -
Redação com agências internacionais
CARACAS - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, ordenou aos militares que abram o aeroporto de Tegucigalpa, em declarações à jornalistas do canal "Telesur" dentro do avião que o leva.
"O presidente constitucional está viajando nesse avião", disse Zelaya, fazendo uma chamada à reconciliação e ao diálogo a todos os hondurenhos e pedindo ao Estado-Maior das Forças Armadas que abra o aeroporto.
Zelaya pediu calma e convidou os hondurenhos a "caminhar para o aeroporto" e falar "com policiais e soldados". Segundo ele, o retorno a Honduras deve ser "alegre" porque é "a volta do filho que foi expatriado". Perguntado sobre a proibição feita pelas novas autoridades hondurenhas em relação à aterrissagem de seu avião em Tegucigalpa, Zelaya disse que se trata de "um Governo de fato e todas as ações desse Governo de fato são nulas".
Sobre a possibilidade de aterrissar em algum outro aeroporto, incluindo uma base militar dos EUA em Honduras, Zelaya, deposto há uma semana, disse que, caso necessário, o avião tem "outras opções".
O destituído líder partiu de Washington a bordo de um avião com destino a Honduras, no qual viaja também o presidente da Assembleia Geral da ONU, o ex-chanceler nicaraguense Miguel D'Escoto.
O avião de Zelaya, de bandeira venezuelana, decolou do aeroporto Dulles de Washington logo após às 19h00 GMT (16h00), e deve chegar a Tegucigalpa em quatro horas, às 17h00 local.
| AP |
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| Simpatizantes de Zelaya protestam |
"Está proibida de aterrissar a aeronave que estiver trazendo o ex-presidente, independentemente de quem vier junto e de qual aeronave seja", declarou Enrique Ortez, chanceler do governo interino de Honduras, em entrevista a uma rádio local.
No sábado, Zelaya anunciou em Washington sua intenção de regressar neste domingo a Tegucigalpa, apesar de alguns países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) terem recomendado o adiamento da viagem por motivos de segurança.
O ex-embaixador de Honduras na OEA, Carlos Sosa, anunciou que o avião de Zelaya deve sair "por volta das 10h00 (14h00 GMT) de Washington para Honduras", chegando "às 15h00 (21h00 GMT)" a Tegucigalpa.
Declaração
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou no sábado que iria regressar ao país neste domingo, mesmo diante da ameaça de que seja preso ao fazê-lo. O governo interino hondurenho, instaurado após a deposição de Zelaya no domingo passado, diz que o presidente afastado cometeu 18 delitos, entre eles traição à pátria.
O anúncio do presidente foi feito em uma gravação enviada à emissora de televisão regional Telesur.
Em uma entrevista à BBC, a vice-chanceler hondurenha, Martha Lorena de Casco, afirmou que, se o líder afastado regressar, "nós estaremos em uma situação muito ruim, porque ele será preso imediatamente".
O presidente eleito hondurenho está em Washington, acompanhando a reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Zelaya disse que virá acompanhando de outros líderes latino-americanos, entre eles a presidente da Argentina, Cristina Fernandez de Kirchner, e o líder do Equador, Rafael Corrêa.
Zelaya conclamou seus correligionários a ir às ruas recebê-lo, mas adotou um tom apaziguador, ao dizer que o façam "desarmados".
O líder deposto usou termos fortes para se referir aos representantes do governo interino, chamando-os de "Judas, que me beijaram no rosto, para, em seguida, realizar um forte golpe contra nosso país e nossa democracia".
Igreja Católica
No sábado, o cardeal Óscar Rodriguez, líder da Igreja Católica hondurenha, havia pedido, em um pronunciamento feito à TV do país, que o presidente afastado não regressasse a Honduras, uma vez que isso poderia causar um "banho de sangue".
Na sexta-feira à noite, o governo interino de Honduras anunciou sua retirada da OEA, se antecipando à provável suspensão do país da entidade.
Ainda na sexta, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, veio a Tegucigalpa, para tentar negociar um fim ao impasse político no país.
| AP |
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| Secretário-geral da OEA, Jose Miguel Insulza, fala em coletiva de imprensa, |
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