05/07/2009 -
21:26
, atualizada às 22:02 05/07 -
Redação com agências internacionais
O avião que transportava o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pousou na noite deste domingo em Manágua, capital da Nicarágua, após ser impedido de descer em Tegucigalpa, em Honduras, pelos militares, informou a rede de tevê "Telesur".
O Exército de Honduras colocou veículos sobre a pista de pouso do aeroporto internacional do país quando o avião se preparava para pousar. No local, manifestantes e militares entraram em confronto e duas pessoas morreram, de acordo com a polícia.
| AP |
![]() |
| Manifestante é morto em confronto |
Ainda no avião, Zelaya pediu ao chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas hondurenhas, Romeo Vásquez, para que "retenha as tropas" que, segundo a "Telesur", estão reprimindo os manifestantes.
Em declarações a esse canal de TV no avião, Zelaya afirmou que vai "sem armas e pacificamente para dialogar" e pediu ao general Vásquez que "retenha o massacre", após ser informado pela cadeia sobre tiros e mortos em Tegucigalpa.
"O povo está nas ruas. Contenha essas tropas, general, detenha esse massacre", afirmou o presidente deposto há uma semana pelos militares.
O líder destituído partiu de Washington a bordo de um avião com destino a Honduras, no qual viaja também o presidente da Assembleia Geral da ONU, o ex-chanceler nicaraguense Miguel D'Escoto.
O avião de Zelaya, de bandeira venezuelana, decolou do aeroporto Dulles de Washington logo após às 19h00 GMT (16h00).
| AP |
![]() |
| Simpatizantes de Zelaya protestam |
No sábado, Zelaya anunciou em Washington sua intenção de regressar neste domingo a Tegucigalpa, apesar de alguns países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) terem recomendado o adiamento da viagem por motivos de segurança.
Declaração
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou no sábado que iria regressar ao país neste domingo, mesmo diante da ameaça de que seja preso ao fazê-lo. O governo interino hondurenho, instaurado após a deposição de Zelaya no domingo passado, diz que o presidente afastado cometeu 18 delitos, entre eles traição à pátria.
Em uma entrevista à BBC, a vice-chanceler hondurenha, Martha Lorena de Casco, afirmou que, se o líder afastado regressar, "nós estaremos em uma situação muito ruim, porque ele será preso imediatamente".
O líder deposto usou termos fortes para se referir aos representantes do governo interino, chamando-os de "Judas, que me beijaram no rosto, para, em seguida, realizar um forte golpe contra nosso país e nossa democracia".
Igreja Católica
No sábado, o cardeal Óscar Rodriguez, líder da Igreja Católica hondurenha, havia pedido, em um pronunciamento feito à TV do país, que o presidente afastado não regressasse a Honduras, uma vez que isso poderia causar um "banho de sangue".
Na sexta-feira à noite, o governo interino de Honduras anunciou sua retirada da OEA, se antecipando à provável suspensão do país da entidade.
Ainda na sexta, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, foi a Tegucigalpa, para tentar negociar um fim ao impasse político no país.
| AP |
![]() |
| Secretário-geral da OEA, Jose Miguel Insulza, fala em coletiva de imprensa, |
Leia também:
Entenda:
Publicidade