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Avião de Zelaya pousa em Honduras

05/07/2009 - 21:11 , atualizada às 21:17 05/07 - AFP

Logo AFP

O avião que transportava o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pousou na noite deste domingo em Manágua, após ser impedido de descer em Tegucigalpa pelos militares, informou a presidência salvadorenha.

O Exército de Honduras colocou veículos sobre a pista de pouso do aeroporto internacional quando o avião se preparava para pousar. No local, manifestantes e militares entraram em confronto e duas pessoas morreram, de acordo com a polícia.

Zelaya pediu ao chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas hondurenhas, Romeo Vásquez, para que "retenha as tropas" que, segundo a "Telesur", estão reprimindo os manifestantes. Segundo agências internacionais, a polícia informou que duas pessoas morreram e duas ficaram feridas em confrontos.

Em declarações a esse canal de TV no avião que o leva a Honduras, Zelaya afirmou que vai "sem armas e pacificamente para dialogar" e pediu ao general Vásquez que "retenha o massacre", após ser informado pela cadeia sobre tiros e mortos em Tegucigalpa.

Zelaya, em comunicação com jornalistas dentro do avião, se dirigiu ao general, sobre quem disse que "está casado com uma boa mulher" e que foi "amigo seu durante anos", para exigir "que não destrua seu povo e sua família".

"O povo está nas ruas. Contenha essas tropas, general, detenha esse massacre", afirmou o presidente deposto há uma semana pelos militares.

O presidente deposto ordenou aos militares que abram o aeroporto de Tegucigalpa. "O presidente constitucional está viajando nesse avião", disse Zelaya, fazendo uma chamada à reconciliação e ao diálogo a todos os hondurenhos e pedindo ao Estado-Maior das Forças Armadas que abra o aeroporto.

Zelaya pediu calma e convidou os hondurenhos a "caminhar para o aeroporto" e falar "com policiais e soldados". Segundo ele, o retorno a Honduras deve ser "alegre" porque é "a volta do filho que foi expatriado". Perguntado sobre a proibição feita pelas novas autoridades hondurenhas em relação à aterrissagem de seu avião em Tegucigalpa, Zelaya disse que se trata de "um Governo de fato e todas as ações desse Governo de fato são nulas".

Sobre a possibilidade de aterrissar em algum outro aeroporto, incluindo uma base militar dos EUA em Honduras, Zelaya, deposto há uma semana, disse que, caso necessário, o avião tem "outras opções".

O destituído líder partiu de Washington a bordo de um avião com destino a Honduras, no qual viaja também o presidente da Assembleia Geral da ONU, o ex-chanceler nicaraguense Miguel D'Escoto.

O avião de Zelaya, de bandeira venezuelana, decolou do aeroporto Dulles de Washington logo após às 19h00 GMT (16h00), e deve chegar a Tegucigalpa em quatro horas, às 17h00 local.

AP
Simpatizantes de Zelaya protestam em Honduras
Simpatizantes de Zelaya protestam
As autoridades hondurenhas já informaram que não permitirão o pouso do avião com o presidente deposto.

Neste domingo, o aeroporto da capital hondurenha foi ocupado por tropas e veículos blindados, para impedir a aproximação de milhares de manifestantes pró Zelaya.

"Está proibida de aterrissar a aeronave que estiver trazendo o ex-presidente, independentemente de quem vier junto e de qual aeronave seja", declarou Enrique Ortez, chanceler do governo interino de Honduras, em entrevista a uma rádio local.

No sábado, Zelaya anunciou em Washington sua intenção de regressar neste domingo a Tegucigalpa, apesar de alguns países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) terem recomendado o adiamento da viagem por motivos de segurança.

O ex-embaixador de Honduras na OEA, Carlos Sosa, anunciou que o avião de Zelaya deve sair "por volta das 10h00 (14h00 GMT) de Washington para Honduras", chegando "às 15h00 (21h00 GMT)" a Tegucigalpa.

Declaração

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou no sábado que iria regressar ao país neste domingo, mesmo diante da ameaça de que seja preso ao fazê-lo. O governo interino hondurenho, instaurado após a deposição de Zelaya no domingo passado, diz que o presidente afastado cometeu 18 delitos, entre eles traição à pátria.

O anúncio do presidente foi feito em uma gravação enviada à emissora de televisão regional Telesur.

Em uma entrevista à BBC, a vice-chanceler hondurenha, Martha Lorena de Casco, afirmou que, se o líder afastado regressar, "nós estaremos em uma situação muito ruim, porque ele será preso imediatamente".

O presidente eleito hondurenho está em Washington, acompanhando a reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Zelaya disse que virá acompanhando de outros líderes latino-americanos, entre eles a presidente da Argentina, Cristina Fernandez de Kirchner, e o líder do Equador, Rafael Corrêa.

Zelaya conclamou seus correligionários a ir às ruas recebê-lo, mas adotou um tom apaziguador, ao dizer que o façam "desarmados".

O líder deposto usou termos fortes para se referir aos representantes do governo interino, chamando-os de "Judas, que me beijaram no rosto, para, em seguida, realizar um forte golpe contra nosso país e nossa democracia".

Igreja Católica

No sábado, o cardeal Óscar Rodriguez, líder da Igreja Católica hondurenha, havia pedido, em um pronunciamento feito à TV do país, que o presidente afastado não regressasse a Honduras, uma vez que isso poderia causar um "banho de sangue".

Na sexta-feira à noite, o governo interino de Honduras anunciou sua retirada da OEA, se antecipando à provável suspensão do país da entidade.

Ainda na sexta, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, veio a Tegucigalpa, para tentar negociar um fim ao impasse político no país.

AP

Secretário-geral da OEA, Jose Miguel Insulza, fala em coletiva de imprensa,
em assembleia da organização



Mas os representantes da Suprema Corte, da classe política e do clero com quem Insulza se reuniu teriam se mostrado irredutíveis em relação à condição sine qua non manifestada pelo líder da OEA, de que Zelaya possa voltar ao país.

Neste sábado, a capital hondurenha viveu um "ensaio" do clima que poderá acometer a cidade caso Zelaya cumpra a promessa de regressar.

Milhares de manifestantes favoráveis ao presidente afastado marcharam desde o centro da cidade até a região do aeroporto de Toncontin, carregando cartazes e faixas em defesa de Zelaya.

Os líderes da organização procuraram adotar um tom sereno, elogiando o trabalho da polícia, que autorizou a manifestação, e enfatizando o caráter pacífico da organização.

Eles só se mostraram menos contidos ao dar uma estimativa sobre o número de presentes ao evento.

Do alto de um carro de som, um dos organizadores disse que a passeata reuniu 400 mil pessoas, o que representaria mais da metade da população de Tegucigalpa.


(Com informação da BBC e da AFP)

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