03/07/2009 -
12:26
, atualizada às 16:25 03/07 -
Redação com agências internacionais
TEGUCIGALPA - O governo interino de Honduras alertou o presidente deposto do país Manuel Zelaya que se mantenha afastado, mas indicou que pode adotar postura mais conciliadora nas negociações marcadas para esta sexta-feira com a Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a crise no país.
O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, desembarcou por volta das 16h30 na capital de Honduras. Roberto Micheletti, chefe do governo interino instaurado após um golpe militar, disse estar contente com o encontro.
Micheletti disse que pode estar aberto à antecipação da eleição presidencial ou até mesmo a um plebiscito sobre a volta de Zelaya para cumprir os quatro meses restantes de mandato, caso isso acalme a condenação global à deposição dele.
A OEA, que agrupa a maioria dos países das Américas, entre eles os Estados Unidos, é uma organização simbólica que promove a paz e a justiça, mas tem poderes limitados.
Volta de Zelaya
A nova administração hondurenha tem rejeitado qualquer tentativa de trazer Zelaya de volta ao país. Zelaya foi deposto em um golpe durante a madrugada por conta das disputas sobre os limites para a reeleição presidencial no país. É a pior crise na América Central desde a invasão do Panamá pelos Estados Unidos em 1989.
"Pela paz e tranqüilidade do país, eu prefiro que ele (Zelaya) não volte", disse Micheletti a uma emissora de rádio hondurenha na quinta-feira. "Não quero sequer uma gota de sangue derramada no país", acrescentou. Ele também acusou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, de orquestrar as movimentações de Zelaya.
Zelaya anunciou que pretende retornar ao país no domingo. Em visita a El Salvador pediu aos compatriotas para marchem a Tegucigalpa para protestar pacificamente contra o golpe de Estado.
Ele informou ainda que será acompanhado no retorno pelos presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e do Equador, Rafael Correa, além de prêmios Nobel da Paz como a guatemalteca Rigoberta Menchú.
Antecipação de eleição
Mais cedo, Micheletti disse que estaria "totalmente de acordo" com a antecipação da eleição presidencial marcada para 29 de novembro.
"Não faço objeção, se for uma forma de resolver esse problema", disse ele, acrescentando que a realização de um referendo sobre a volta de Zelaya para terminar o que resta do mandato também é uma possibilidade, embora sua realização imediata seja difícil.
Interferência de Chávez
A possibilidade de antecipação das eleições foi rejeitada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, que lidera uma ofensiva para a restituição de Zelaya, um de seus aliados na Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA).
Da Venezuela, Chávez disse estar em contato com pessoas de dentro e de fora de Honduras para discutir a crise a ajudar a evitar um "derramamento de sangue". Zelaya irritou setores tradicionais hondurenhos por conta de sua aliança com Chávez.
"Estamos em contato com pessoas de dentro (de Honduras) e de várias partes do mundo", disse Chávez. "É claro que alguns querem fazer mais, mas esse país tem sua soberania e temos que respeitá-la. Não somos uma nação intervencionista."
Chávez reforçou a pressão na noite de quinta-feira ao anunciar a suspensão do envio de petróleo venezuelano a Honduras. Este país se beneficia de um fornecimento subsidiado do combustível da Venezuela, do qual depende para um abastecimento normal.
O venezuelano insistiu que não reconhecerá o governo eleito em uma eventual votação antecipada e colocou em dúvida a honestidade de um resultado nestas condições.
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