21/06/2009 -
22:04
, atualizada às 00:24 22/06 -
Redação com Agência EFE
O Conselho de Guardiães do Irã admitiu nesta segunda-feira (hora local) que nas eleições do dia 12 de junho foram cometidas irregularidades nas votações, informa o site do canal estatal de televisão "Press TV".
| AP |
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| Manifestantes e policiais durante protesto da oposição em Teerã no sábado (20) |
Segundo cita o canal, o órgão assegurou que em 50 cidades votaram mais eleitores do que os inscritos, o que implica em mais de 3 milhões de eleitores, reconheceu o porta-voz do Conselho, Abbas-Ali Kadkhodaei.
Esta afirmação se produz em resposta às queixas apresentadas perante o Conselho pelo candidato conservador, Mohsen Rezaei.
O citado Conselho, integrado por seis clérigos e seis juristas, é o organismo encarregado de validar os resultados eleitorais apresentados pelo Ministério do Interior para que sejam oficiais.
"As estatísticas proporcionadas por Rezaei nas quais ele reivindica que mais de 100% dos eleitores registrados emitiram seu voto em 170 cidades não são exatas, o incidente ocorreu em apenas 50 cidades", disse Kadkhodaei.
Em seus 30 anos de existência, o Conselho jamais tomou uma decisão de tal calibre como a anulação do pleito, exigida pela oposição.
Os resultados oficiais dão 62,6% dos votos ao atual presidente iraniano, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, e ao líder opositor reformista, Mir Hussein Mousavi, 33,75% dos votos.
Mousavi não aceita estes resultados que levaram ao país protestos diários e confrontos entre a oposição e as forças de segurança que já deixou um saldo de 20 pessoas mortas, segundo dados oficiais.
A situação se agravou neste sábado depois que pelo menos 13 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas por causa da repressão policial durante uma passeata de protesto da oposição na qual um número indeterminado de manifestantes foram detidos.
Tensão cresce com o Ocidente
O presidente Mahmud Ahmadinejad pediu a Estados Unidos e Grã-Bretanha o fim das interferências nos assuntos internos da República Islâmica. O chanceler iraniano, Manuchehr Mottaki, voltou a criticar Londres, acusando o governo britânico de "um complô contra a eleição presidencial há dois anos".
A Grã-Bretanha negou ter manipulado os manifestantes, mas mesmo assim o correspondente da BBC em Teerã, Jon Leyne, recebeu uma ordem das autoridades iranianas para abandonar o país em 24 horas, sob a alegação de ter "apoiado os agitadores".
Além disso, o ministério da Cultura iraniano ameaçou os meios de comunicação britânicos com "mais medidas severas", caso "continuem interferindo nos assuntos internos" do país.
Protestos e mortes
A manhã de domingo foi tranquila nas ruas do centro de Teerã, diferentemente do que foi registrado no dia anterior, quando ocorreram violentos confrontos entre manifestantes e a polícia.
Vídeo é divulgado por manifestantes no YouTube:
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